ANO: 25 | Nº: 6310
18/01/2018 Cidade

Uma agenda de homenagens ao padroeiro de Bagé

Foto: Divulgação

Integrantes da Associação de Cavaleiros Rainha da Fronteira se reuniram na frente da Catedral
Integrantes da Associação de Cavaleiros Rainha da Fronteira se reuniram na frente da Catedral

Um grupo de aproximadamente 30 cavalarianos partiu, ontem, da Catedral de São Sebastião, em busca da imagem do padroeiro, no distrito de Torquato Severo, município de Dom Pedrito. A 14ª Cavalgada Histórica de São Sebastião é realizada pela Associação de Cavaleiros Rainha da Fronteira e pela Mitra Diocesana. A atividade é coordenada pelo tradicionalista Mirabeau Borba dos Santos e pelo bispo Dom Gílio Felício e conta com a participação de cavalarianos de Candiota, além do professor de filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Wilson Mendonça.
Os cavalarianos receberam a bênção religiosa antes de partir. Na primeira noite, a comitiva pernoitou na propriedade Cacimba, de Osmar e Elva Vieiro. Hoje partem para a Estância do Retiro, de Augusto e Gladis Costalat. Serão percorridos cerca de 44 quilômetros até a vila de São Sebastião.
O grupo será recepcionado, no dia 19 de janeiro, com uma quermesse, com várias atividades artísticas e culturais, e com a missa campal ministrada pelo bispo. A festividade encerra no dia 20 de janeiro, com a procissão e a missa na Catedral de São Sebastião, em Bagé.

Participação
De acordo com Mendonça, sua participação na cavalgada iniciou em 2006. Ele relata que o pai era militar e chegou a viver em Bagé por dois anos, entre 1961 a 1963. O professor relata que tinha boas memórias do município, mas não mantinha contato com ninguém da cidade. “Voltei a Bagé com meu pai e reencontrei alguns amigos da infância, manifestando a vontade de cavalgar. Assim comecei a participar do evento”, lembra.
O professor ressalta que leva com orgulho o título de cavalheiro de São Sebastião, que recebeu em sua primeira cavalgada. Ele salienta que vive no Rio de Janeiro e considera esse tipo de evento histórico, coletivo e religioso. “É uma forma de vida diferente do habitual. Tem um valor enorme para mim”, destaca.
Como sofreu uma fratura no fêmur e está se recuperando, este ano o professor irá acompanhar a trajetória no apoio. Durante a exposição, o filósofo recebeu de Machado e do padre Olindo Carlini, que representou a diocese, o livro "Bagé de ontem e de hoje", organizado pela escritora Élida Garcia, com uma coletânea de artigos publicados na imprensa (1939 - 1994) pelo historiador Tarcísio Taborda. Élida fez uma dedicatória ao professor, que agradeceu a acolhida dos bajeenses.


Arquivo e Memória do Padroeiro

Na manhã de ontem foi aberta a mostra documental Arquivo e Memória do Padroeiro, no Arquivo Público Municipal Tarcísio Antônio Costa Taborda. O professor Mendonça participou da solenidade. Estão expostos painéis com fotos e textos, entregues ao Arquivo Público pelo assessor da diocese de Bagé, Sávio Machado, diretor executivo da Companhia de Comédias Bufões da Rainha.
A mostra comemora o dia do santo (20 de janeiro), feriado municipal. A responsável por organizar o material, Brunna Ayres, explica que foi realizada uma busca por documentos e fotos. Entretanto, como poucos itens foram encontrados, foi feito contato com o assessor de cultura da Mitra Diocesana, Sávio Machado, que doou todo o material sobre a cavalgada e a diocese. “Foram fornecidos documentos e fotos que ampliaram nosso arquivo”, comemora.
Machado explica que guarda material desde a primeira edição da cavalgada. “Jamais pensei em transformar em uma exposição. Agora que começamos, pretendo levar para outros locais e tornar itinerante para mais pessoas acessarem os documentos”, diz.
Ainda segundo Machado, também foi doado um curta-metragem de animação de um minuto e meio, denominado São Sebastião, produzido pela diocese de Bagé para divulgar a festa. O filme tem o roteiro de Machado com a produção de Fabrício Rossato Fagundes e Théo Gomes e áudio de Pedro Bial. “Esse material foi distribuído pelas 16 paróquias de 12 municípios que compõem a diocese de Bagé”, conta.

A exposição também tem fotografias com todos os bispos da diocese de Bagé e antigas imagens da Catedral, após o cerco de 1894.
Os materiais são provenientes de recortes de jornais, documentos jurídicos, cópias de estudos do historiador Tarcísio Taborda e livros de fotografias. Parte também foi realizada a partir de cópias de documentos feitos por Machado durante o tempo que dirigiu a Casa de Cultura Pedro Wayne.
Segundo Bruna, a mostra fica disponível até dia 3 de março. Ela solicita que se as pessoas tenham material sobre São Sebastião que façam doação para o arquivo.


Imagem
A imagem do santo, que chegou ao Brasil em 20 de janeiro de 1565, fez um grande trajeto, cruzando diversos estados, chegando ao Sul do País, no município de São Sebastião do Caí, onde permaneceu por algum tempo.
Foi em 1683 que chegou à região da Campanha, pelas mãos dos padres jesuítas da Ordem de Jesus, que traziam a missão de catequizar os indígenas e fundar um agrupamento.
A tarefa foi chefiada pelo padre Tadeu Xavier Henis, que buscou ludibriar os índios com os dogmas da fé cristã. Com o adensamento da população na região, a vila ganhou a denominação de seu padroeiro, São Sebastião.

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