ANO: 24 | Nº: 5985

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
20/01/2018 Airton Gusmão (Opinião)

A necessidade de mudança permanente

Convertam-se! Este foi o apelo de Jonas (Jn 3,1-5.10) e o convite de Jesus Cristo (Mc 1,14-20) no início de sua Missão pública e é também para todos nós hoje.
A palavra conversão vem do grego “metanoia” e quer dizer mudança de mentalidade, um voltar-se para Deus; pois só é possível perceber e acolher a presença do Reino, se a pessoa mudar o seu modo de pensar, viver e agir. É um permitir que a presença de Deus inunde a nossa vida e nos dê olhos novos, mentes novas, corações novos, para ler e entender os fatos de hoje que desafiam o nosso ser e agir humano e cristão.
A conversão para a qual a Palavra de Deus nos convida, fala daquela necessidade de mudança interna, um novo jeito de pensar e agir; considerando que esta experiência deve acontecer sempre, acompanhando toda a nossa vida, pois somos frágeis, sujeitos às quedas, necessitados de crescimento em todas as dimensões da vida; confrontando o nosso existir com a proposta do Reino e da vontade de Deus.
Precisamos considerar que, diante dessa proposta da novidade do Reino de Deus, temos as nossas resistências para mudar, porque nos habituamos a um “modus vivendi”, a um esquema de pensar, sentir e agir; cristalizando-nos, não nos permitindo a possibilidade de uma revisão; dizendo para nós mesmos que somos os tais e não precisamos rever a vida, as atitudes, as ações; seguindo assim, as orientações do mundo e da sociedade, com suas atrações, propostas; esquecendo-nos de consultar a nossa consciência e coração, à luz dos valores do Evangelho e do Reino.
“Convertei-vos e crede no Evangelho”. Precisamos neste processo de mudança, revendo e reorientando a nossa vida, colocar a nossa fé na Palavra que não passa, crendo no Cristo, pois é Ele o Evangelho, que é força de Deus para a salvação de todo aquele que crê, conforme nos diz São Paulo (Rm 1,16). Podemos dizer ainda que crer no Evangelho é fazê-lo nossa norma de vida, de pensar, sentir e agir, deixando-nos assim, configurar a Jesus Cristo.
Essa mudança que o Evangelho nos pede deve repercutir em todas as dimensões da vida humana, como por exemplo, na vida social, política, econômica, cultural; nos âmbitos da família, do trabalho, do lazer, da educação e dos meios de comunicação social.
Assim, a presença do Reino e o apelo à conversão, não pode ficar apenas no escutar, que é importante para a acolhida dessa novidade, mas é preciso ser vivenciada, testemunhada. Daí a importância do Ano do Laicato que convoca todos os cristãos a ser sal da terra e luz do mundo; leigos e leigas, sujeitos na Igreja em saída, como nos pede o Papa Francisco, a serviço do Reino que já está presente entre nós.
“Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. O chamado de Jesus nos individualiza e nos personaliza de modo irrepetível, conferindo um sentido completamente novo a todos nós. O encontro com Ele atinge o núcleo de nossa própria autonomia e de nossa consistência pessoal; foi o que aconteceu com os primeiros discípulos. Por isso, somos impulsionados a ser protagonistas de uma nova história; somos desafiados a pensar e agir “fora do sistema”, para entrar na dinâmica do Reino de Deus.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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