ANO: 25 | Nº: 6354

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
20/01/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

O poder (e o valor) do “eu te amo”

Circula na internet um vídeo com um depoimento muito bonito do comunicador Marcos Piangers, onde ele argumenta sobre o poder transformador do “Eu te amo” e a importância de estimularmos e encorajarmos as pessoas a pronunciar mais esta pequena declaração de amor.
Nada a acrescentar, comentar ou criticar ao que foi dito. Pelo contrário, só elogiar! Todavia, assistindo ao vídeo me ocorreu: por que cargas d’água nossa cultura reprime tanto o “eu te amo”? De fato não é muito fácil dizer “eu te amo” mesmo para aquelas pessoas que certamente amamos, nem ouvir “eu te amo” mesmo de pessoas que não temos dúvidas de que nos amam.
Se por um lado isso é lamentável e deve mudar, como propõe o Piangers, por outro parece indicar que levamos muito a sério o “eu te amo”. Não saímos por aí dizendo “eu te amo” para qualquer um, porque isso não é brincadeira! Às vezes, até nas relações românticas os amantes demoram para dizer “eu te amo”, mesmo estando loucos de vontade de dizer, sobretudo no início da  relação. Parece até que se disser isso muda o caráter da relação. Passa à condição de “relacionamento sério”, na linguagem do Facebook.
Encarar com tanta seriedade uma simples manifestação de afeto faz lembrar da célebre frase do livro O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” O medo de assumir uma responsabilidade eterna é tanto, que é melhor deixar o ser amado sem esta certeza.
Não dá para dizer, então, que esse respeito excessivo ao “eu te amo” seja de todo ruim, visto que ele só tem o valor que tem, por causa desta “economia” das pessoas em pronunciá-lo. Dentro dessa lógica econômica, se começarmos a usar e abusar do “eu te amo” atendendo a sugestão do Piangers e de tantos outros, a declaração poderá perder valor, ficar comum, usual e, por isso, verdadeira com menos frequência.
Dizer “eu te amo” não significa necessariamente que o declarante efetivamente ama o seu interlocutor. Alguns cafajestes, malandros, tratantes, conversadores, não economizam nas suas declarações tão verdadeiras quanto os recibos de aluguel do apartamento do Lula. Por outro lado, gente que ama verdadeiramente como, por exemplo, os pais, são capazes de morrer sem nunca dizer que ama o seu amado filho ou filha. É capaz de se meter na frente da bala para salva-lo(a), mas é incapaz de dizer “eu te amo” para ele(a). E aí voltamos ao início do texto!
O certo é que se você efetivamente ama determinada pessoa, não tem porque não dizer que a ama e, como diz o Piangers no vídeo, isso só melhora a relação, aproxima ainda mais as pessoas, mas, para tanto (e para muitos), é preciso coragem. Diga “eu te amo” para os seus filhos, para os seus pais, para os seus irmãos, para os demais parentes, para os seus esposos, esposas ou conviventes. Diga “eu te amo” para os seus amigos, colegas e até vizinhos que você real e efetivamente ame. Só não diga “eu te amo” para quem você não ama. Não diga “eu te amo” só para agradar o outro. Não “inflacione” o “eu te amo”. Não o desvalorize. Use mais, mas com moderação.
E, também, não espere receber de volta todo o amor que você deu, nem se sinta obrigado a devolver todo o amor que recebeu, pois amor não é moeda de troca. O ato de amar é um ato de doação. Não é coisa de mercenários. Se alguém recusar o amor que você deu, azar o dele. Se você recusar o amor que alguém lhe deu, azar o seu. Mas com o tempo a gente acaba entendendo que quanto mais amor você der, mais amor receberá, pois quando a gente ama o mundo todo se transforma, os anjos dizem amém e Deus... Deus está vendo e aplaudindo. Amém! Amém!

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