ANO: 24 | Nº: 6103

Airton Gusmão

redacaominuano@gmail.com
Pároco da Catedral
27/01/2018 Airton Gusmão (Opinião)

A autoridade de Jesus

No domingo passado escutamos a Palavra de Jesus anunciando que “o tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo”. Dando continuidade à reflexão acerca da mensagem de Jesus sobre o Reino de Deus, neste domingo o evangelho (Mc 1,21-28) nos fala da autoridade de Jesus, dada por Deus, de revelar esta realidade nova a todos.
O ponto central, portanto, não recai sobre o conteúdo da mensagem de Jesus, mas no modo como falava de Deus e no efeito da sua proposta de liberdade e vida plena. O povo admirou-se com a pessoa de Jesus, “(...) pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei” (Mc 1,22). O que diferenciou Jesus dos mestres da Lei? Por que Ele ganhou a admiração do povo na Sinagoga de Cafarnaum?
Na verdade, o povo viu em Jesus e na sua proposta a marca de Deus. Com sua vida, suas palavras, suas ações, Jesus aos poucos foi mostrando sua identidade e revelando sua missão. Como nos adverte o Papa Francisco, a autoridade de Jesus vinha do seu serviço, da sua proximidade para com as pessoas e, principalmente, da sua coerência, algo não encontrado nos fariseus e mestres da Lei: “Jesus servia as pessoas, explicava as coisas para que as pessoas entendessem bem: estava ao serviço das pessoas. Havia um comportamento de servidor, e isto Lhe dava autoridade”. Ao egoísmo, à injustiça, à violência e à exclusão, muitas vezes realizada pelos próprios fariseus e mestres da Lei, Ele ensinava a partilha, a misericórdia, a justiça, a tolerância e isto agradou o povo que percebeu nesta mensagem algo novo.
A cura de um homem possuído por um espírito mau, na sequência do Evangelho, confirma a “autoridade divina” de Jesus, pois estes sinais tinham o objetivo de mostrar o poder de Deus sobre o mal, isto é, sobre tudo o que escravizava o ser humano, no qual Jesus era o porta-voz. Assim, com palavras que chegavam ao coração das pessoas e gestos de amor e solidariedade, Jesus confirmava o seu anúncio de que: “o Reino de Deus está no meio de vós”.
Esse Evangelho, portanto, nos faz refletir sobre a sociedade em que vivemos, onde muitos, ainda hoje, desejam mostrar autoridade através da violência, da exploração, do medo; há também muitos “espíritos impuros” que continuam a dominar as pessoas, fazendo muitas vítimas como: a crescente desigualdade, a má distribuição da terra, a corrupção, as drogas, o crime organizado etc.
Como cristãos não podemos ficar indiferentes a toda esta realidade. Assim como Jesus, somos também portadores e construtores do Reino de Deus, chamados a vencer toda essa situação que gera violência e morte, através de uma cultura de paz e diálogo sempre comprometidos em vencer tudo aquilo que divide e oprime o ser humano. A Palavra de Deus, neste domingo, nos faz renovar a nossa vocação profética de anunciar, denunciar e, mais do que tudo, de servir e estar próximo daqueles que mais necessitam do conforto e do amor de Deus, sendo, assim, sinais do Reino no mundo. Este foi o modo como Jesus exerceu sua autoridade e deve ser o nosso caminho também: “(...)quem de vós quiser ser o primeiro, que seja o servo de todos” (Mt 20,27).
Façamos a nossa parte, sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...