ANO: 24 | Nº: 6161

José Carlos Teixeira Giorgis

jgiorgis@terra.com.br
Desembargador aposentado e escritor
27/01/2018 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

A corticeira e as ruas

Foto: Divulgação

Fui advogado do Sindilojas quando presidente o saudoso Miguel Abdallah Kalil. Dita associação tinha sede na Galeria. Ali, segundo o catálogo que regia a entidade, se tratava de assegurar as garantias e os direitos do comerciante, a concreta participação nas convenções coletivas; horário do comércio; sábado inglês; e intensa vida comunitária e associativa. Alguns desses temas continuam recorrentes, hoje sob a profícua gestão de Nerildo Garcia Lacerda. Pois num desses dias tendo de consultar o (único) guia telefônico dei conta da importância que referida publicação, criada na eficiente administração de Luiz Fernando Mello Dallé, ora representa para a memória local.Fiz o seguinte: juntei todas as edições, enviadas amim cada ano pelo talentoso diagramador Sandro Leal, e delas mandei reproduzir os textos iniciais (biografias, notícias antigas, fotos do passado, assuntos relatados por pesquisadores etc).
E, pasmem, logrei organizar importante caderno histórico, não abdicando da expressiva capa com uma corticeira, carreta e gaúcho, ilustração do publicitário Léo R. Filho, pintada especialmente para o último do “Alô, Bagé”.Pela relevância, atrevo-me a sugerir ao prestigiado sindicato varejista de reunir os textos em forma de livro ou revista para distribuir às escolas, universidades arquivos e bibliotecas, seguro que ali há importante espólio dos acontecimentos bajeenses.
A corticeira, árvore símbolo destas plagas, é leguminosa nativa da região, cujos chás de folha e casca sempre foram aconselhados pelo Dr. Pureza de Carvalho como “milagrosos para acalmar a tosse renitente, bochechos nas infecções bucais, dor de dente”; e até, segundo o boticário das Palmas, para dar o “primeiro banho no recém-nascido como fazem os ciganos, de preferência colocando uma pataca de prata”; ou amainar “problemas de bexiga, hemorroidas e menopausa”, palavras que pronunciava em voz discreta, mirando as polainas.

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Relendo as obras de Jorge Reis, Harry Rotermund, Tarcísio Taborda e Elizabeth Macedo de Fagundes deparei com os expressivos nomes das ruas da Bagé de antanho, como: rua do Portão (Sete), rua do Couto (Maurity), rua do Comércio (Barão do Amazonas), rua do Conde (Sampaio), rua da Castanheira (João Manoel), rua das Trincheiras (Barão do Triunfo), rua Sant’Anna (Marcílio); Rua Santa Clara (General Netto); Rua da Santa Bárbara (Osório); Rua do Pinheiro (Três de fevereiro, depois Salgado e ora Flores da Cunha); Rua da Condessa (Conde de Porto Alegre), rua Direita (Ismael), rua Alegre (Bento), rua Monteiro (Dr. Penna), rua da Aurora (João Telles), rua São Sebastião (Floriano), Beco do Bordalho (rua 28 de Setembro, depois Santos Souza); Rua das Flores (Pedro Wayne, proposta minha como vereador); Rua Santa Tecla (Félix da Cunha e Presidente Vargas); Rua do Rosário (18 de Maio, ora Carlos Mangabeira); rua do Arroio (São Jerônimo depois Fabrício), rua do Coronel (Caetano), rua Sete de Abril (José Octávio), rua José Bonifácio (Espanha).
E a Praça das Trincheiras (depois Santos Lugares, Duque de Caxias e ora Escola Justino Quintana), Praça do Conde (Praça do Mercado, Praça Voluntários da Pátria, agora Silveira Martins); Praça do Quartel (Silveira Martins, Júlio de Castilhos); Largo do Conde (Praça Rio Branco, Praça de Esportes). Já imaginaram os diálogos de outrora?
- Onde moras? No Beco do Bordalho! - Onde te busco, meu amor? Na rua das Flores, benzoca!
Será que morava gente triste na rua Alegre?

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