ANO: 24 | Nº: 6161

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
27/01/2018 José Artur Maruri (Opinião)

Tu e tua casa

Numa época em que, mesmo dentro do lar, os indivíduos têm se afastado não apenas por questões políticas, mas também religiosas, é imperioso que rememoremos alguns ensinamentos do próprio Cristo.
O item 5 do capítulo do capítulo 14 da obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo” traz a seguinte passagem:
“E vieram a casa; e concorreu de novo tanta gente, que nem mesmo podiam tomar o alimento. — E quando isto ouviram os seus, saíram para o prender; porque diziam: Ele está furioso. E chegaram sua mãe e seus irmãos, e ficando da parte de fora, o mandaram chamar. — Estava sentado à roda de um crescido número de gente, e lhe disseram: Olha que tua mãe e teus irmãos te buscam aí fora.— E ele respondeu, dizendo: Quem é minha, e quem são meus irmãos? — E olhando para os que estavam sentados à roda de si: Eis aqui, lhes disse, minha mãe e meus irmãos. Porque o que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã e minha mãe. (Marcos, III: 20-21 e 31-35 – Mateus, XII: 46-50) “.
Algumas passagens evangélicas colocam em xeque, até os dias de hoje, o ensinamento do Mestre Jesus. Como Ele poderia desfazer de seus parentes consanguíneos? Ocorre que, Jesus jamais perdia a oportunidade de lecionar quem quer que fosse.
Quando Jesus delimita que seu irmão, sua irmã e sua mãe são os que fizerem a vontade de Deus, ele jamais afasta seus parentes corporais, apenas demonstra quem são seus parentes espirituais.
Muitas vezes, encontramo-nos a sós dentro do próprio lar, já que marido e esposa, pais e filhos, tem interesses diversos dos ensinamentos do Cristo. Preferem idolatrar o artista da televisão ou o jogador de futebol a estudar os ensinamentos transcendentais que apontam para a imortalidade da alma, nas lições da Boa Nova.
Muitos seguidores das normas evangélicas são, até mesmo, hostilizados pelos seus companheiros de caminhada dentro do próprio lar. No entanto, como bem refere o espírito Emmanuel, os discípulos novos do Evangelho não devem salientar os defeitos alheios, porque, assim, esquecem o trabalho de retificação, no plano da bondade oculta, que cabe a cada um de nós.
O benfeitor espiritual vai ainda mais longe:
“No lar onde exista uma só pessoa que creia sinceramente em Jesus e se lhe adapte aos ensinamentos redentores, pavimentando o caminho pelos padrões do Mestre, aí permanecerá a suprema claridade para a elevação”.
Não importa se os progenitores sejam descrentes, que os irmãos permaneçam endurecidos, nem interessam a ironia, a discussão áspera ou a observação ingrata. O cristão, onde estiver, encontra-se no domicílio de suas convicções regenerativas, para servir a Jesus, aperfeiçoando e iluminando a si mesmo.
Allan Kardec já referia:
“Os laços de sangue não estabelecem necessariamente os laços espirituais. O corpo procede do corpo, mas o espírito não procede do espírito, porque este existia antes da formação do corpo. O pai não gera o Espírito do filho: fornece-lhe apenas o envoltório corporal. Mas deve ajudar seu desenvolvimento intelectual e moral, para o fazer progredir”.
Dessa forma, cabe a nós, estar com o Cristo, ainda que pareçamos sós aos olhos da parentela.
“Basta uma estaca para sustentar muitos ramos. Uma pedra angular equilibra um edifício inteiro. Não te esqueças, pois, de que se verdadeiramente aceitas o Cristo e a Ele te afeiçoas, serás conduzido para Deus, tu e tua casa”. – Emmanuel.
(Referências: Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 14. Item 5. Francisco Cândido Xavier. Emmanuel. Vinha de Luz. FEB Editora. Cap. 88)

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