ANO: 26 | Nº: 6589

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
01/02/2018 João L. Roschildt (Opinião)

Embusteiros

Falar sobre diversidade sem tergiversar, significa negar a diversidade. Uma das razões é que a defesa da pluralidade foi usurpada pelas variadas correntes de esquerda. Usando uma linguagem próxima desses grupos, ao “ocupar” a diversidade, foi-lhe determinado um contexto político muito específico de uso, completamente afastado de sua essência: diverso é exclusivamente aquilo que está atrelado à agenda ideológica progressista. Mas as vozes discordantes não deveriam compor o vasto espectro da pluralidade? Não, afinal, dentro de tal lógica, diversidade não é equivalente à diversidade.
Mas como comprovar essa invasão de terreno? Ao longo dos anos, todos os semestres, em uma das minhas aulas de Filosofia ministradas para o Curso de Direito, tenho o hábito de distribuir um pequeno texto intitulado “Dez princípios conservadores”, de Russell Kirk. Para espanto geral dos alunos, Kirk afirma que os conservadores são guiados pelo princípio da variedade, ou seja, o conservadorismo respeita (e muito!) as diferenças naturais e institucionais presentes na sociedade. Em outras palavras, para o melhor florescimento humano, a diversidade deve ser preservada e fomentada. A surpresa dos estudantes se dá pelo fato de que nunca ouviram falar, seja na grande mídia ou na produção acadêmica, que o conservadorismo está ligado à diversidade. Até porque, grandes veículos de comunicação e universidades foram tomados de assalto pelo pensamento progressista. Esse, por sua vez, para a implementação de sua agenda, precisa assassinar as reputações dos inimigos e esconder a verdade (é usual a palavra “conservador” ser divulgada como sinônimo de intolerância, fascismo, racismo e tudo que rotula negativamente alguém). Uma tática bem conhecida e muito utilizada em todas as revoluções, armadas ou culturais, praticadas pela esquerda.
O professor norte-americano Walter Williams, em 22/11/2017, na sua coluna semanal para o The Daily Signal, lançou mais luzes (ou problemas?) sobre esse tema. Conforme Williams, um estudo recente indicou que, nas 40 principais universidades dos EUA, a cada 11 professores democratas (progressistas), existe um único republicano (conservador). Nos departamentos de História, Jornalismo e Direito, a proporção favorável aos democratas é de 33:1, 20:1 e 8:1, respectivamente. Seriam os professores progressistas muito melhores do que os conservadores, ou as instituições não estão respeitando a diversidade apregoada?
A realidade descrita acima não é nem um pouco distinta do Brasil. Quiçá, seja até mais diversa do que a nossa. Ou as universidades (principalmente as federais) e seus professores não são flagrantemente vinculados às pautas/partidos de esquerda? Seria a capacidade intelectual superior por parte dos progressistas que fez com que eles tomassem conta desse espaço? Ou um corporativismo ideológico na porta de entrada dos pares? Não é de estranhar como a grande massa dos intelectuais contemporâneos está sempre vinculada ao progressismo? Só um lado pensa?
Ser favorável à diversidade dentro de um espaço previamente delimitado, para não permitir verdadeiros antagonismos é muito fácil. Complexo, de acordo com o antropólogo Flávio Gordon, é quando temos de enfrentar ideias que são um “desafio real às nossas opiniões mais caras ou ameaça ao nosso estilo de vida”.

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