ANO: 24 | Nº: 5986

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
06/02/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

A concorrência

Viver a concorrência em qualquer área da vida é saudável, mas não é fácil. Exige amadurecimento constante, determinação, ética, interesse e investimentos concretos e emocionais nos próprios objetivos.
Caim, Alexandre O Grande, Calígula, Hitler e tantos outros, todos com alta dose de loucura, também tiveram sua psicopatia alimentada pelo pavor da concorrência. Projetaram no outro o medo, o pânico de ser deixado de lado, de não ser notado com evidência. A necessidade de ser único, exclusivo, sem ninguém que ameace sua zona de conforto exige a utilização de recursos baixos, antiéticos e difamatórios para anular a competição. 
É uma forma de doença emocional porque sem dúvida quem vive assim é muito triste, muito infeliz. Deve doer e inquietar bastante viver com medo, enxergando em cada movimento alheio a sombra de um ataque ameaçador. Nesses casos o indivíduo não reconhece que na vida, na natureza, concorrer é como respirar, é como a gravidade, independe de se concordar com ela ou não, ela existe e pronto.
Sem perceber que sua postura é doentia ou ridícula acaba por diminuir a si mesmo vida afora, enquanto não consegue reconhecer as habilidades de seus concorrentes. Pois somente quem não possui talento algum precisaria ser único para ser valorizado; somente alguém totalmente incompetente seria prejudicado pela presença de competição. As mentes saudáveis reconhecem que a competição empurra todos para cima, para o avanço, o crescimento, pois desacomoda e induz ao autoaperfeiçoamento. De modo geral quem não consegue crescer, se impor, sai do mercado, da relação, da situação, seja o que for, ou em ocasiões mais raras tenta manchar, desqualificar e até mesmo eliminar quem enxerga como ameaça. 
Maria Tereza Maldonado, figura marcante da Psicologia brasileira, afirma que a pessoa doente em sua autoestima vive como se estivesse em uma gangorra, ou seja, só concebe a possibilidade de estar no alto se o outro estiver no chão. Não conseguindo ver a si mesmo como qualificado e importante o suficiente para se ocupar de sua própria evolução, tal indivíduo destina toda sua atenção e energia a diminuir e boicotar os outros, a quem percebe como ameaça a sua própria existência.
Quem é reflexivo e controla o próprio comportamento sabe que o relacionamento respeitoso e ético com a concorrência só torna mais marcante, nobre e isenta cada uma de suas vitórias.

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...