ANO: 25 | Nº: 6381
08/02/2018 Editorial

Efeito cíclico

O ano inicia sem grandes novidades para as prefeituras. Contabilizando perdas com o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), em 2017. Os prefeitos articulam, em 2018, a transferência de um novo auxílio. Com pires nas mãos, a corrida com obstáculos para Brasília não brinca com premiações. Sequer consolação existe para quem comanda as unidades mais frágeis da federação, a ponta mais fraca do poder político que estabeleceu tentáculos nacionais.
A gestão tem peso nos números, é fato. O déficit registrado no ano passado, porém, mostra-se capaz de impor desafios hercúleos aos melhores administradores. A contenção, que deveria ser adotada em detrimento de uma condição pontual, ganha contorno de regra, freando investimentos em áreas importantes. Perdemos no campo da infraestrutura, mas, especialmente, na perspectiva de autonomia financeira e administrativa.
Migrar para a capital do País, em busca de apoio, virou uma espécie de tradição. A demanda pela revisão do modelo de distribuição das receitas é discurso vencido. Ninguém discorda, mas o cenário não muda. A manutenção da sistemática está no fato de que não favorece a União apenas em termos econômicos. É, antes de tudo, o efeito político que interessa ao Planalto. Não resta dúvida de que a relação com as bases, tão propagada em períodos eleitorais, pode muito bem ser comparada a um grande balcão de negócios.

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