ANO: 24 | Nº: 6108

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
10/02/2018 Airton Gusmão (Opinião)

As lepras de hoje

Continuando a sua Missão de tornar o Reino de Deus presente no mundo, com seus ensinamentos, atitudes e gestos na realidade da vida das pessoas, envolvendo também os discípulos para uma nova consciência e prática; Jesus no Evangelho deste final de semana (Mc 1,40-45), acolhe um leproso que, de joelhos diante dele diz: “Se queres, tens o poder de curar-me”. O Senhor da vida responde agindo com compaixão, estendendo a sua mão e tocando no leproso: “Eu quero, fica curado”.
Na visão do povo da Bíblia, a lepra como qualquer outra doença era considerada como um castigo de Deus a partir de certos comportamentos. No caso da lepra, o pecado era considerado muito grande pelo que representava essa doença. As pessoas que viviam com esta enfermidade deviam viver afastadas do convívio social e alertar as outras para que não se aproximassem delas.
As marcas da doença no corpo mantinham abertas as piores feridas na alma dessas pessoas, pois eram consideradas impuras e malditas e tinham de viver na exclusão.
Jesus, mesmo transgredindo o legalismo que justificava estas exclusões sociais e religiosas, cheio de compaixão, torna-se próximo desse homem, toca nele, libertando-o dos preconceitos, curando-o e reintegrando-o no convívio social.
Neste dia 11 de fevereiro, celebramos o 26º Dia Mundial do Enfermo. O Papa Francisco escreveu a sua mensagem, tendo como tema: “Eis o teu filho. Eis a tua mãe. E desde aquela hora o discípulo acolheu-a como sua” (Jo 19,26-27).
Trazemos presente alguns trechos da mensagem do Papa: “O serviço da Igreja aos doentes e a quantos cuidam deles deve continuar com vigor sempre renovado, por fidelidade ao mandato do Senhor (Lc 9,2-6; Mt 10,1-8; Mc 6,7-13).
As palavras de Jesus dão origem à vocação materna de Maria em relação a toda a humanidade. A mãe dos discípulos do seu Filho cuidará deles e do seu caminho.
João pode testemunhar que Jesus encontrou muitas pessoas doentes no espírito, porque cheias de orgulho (Jo 8,31-39), e doentes no corpo (Jo 5,6). A todos concedeu misericórdia e perdão e, aos doentes, também a cura física, sinal da vida abundante do Reino, onde se enxugam todas as lágrimas.
Como Maria, os discípulos são chamados a cuidar uns dos outros. A todos deve ser anunciado o Evangelho do Reino, e a caridade dos cristãos deve estender-se a todos quantos passam necessidades”.
Todos nós, hoje, também somos chamados a continuar os gestos, sinais e ações de Jesus, que veio para que todos tenham vida e vida em abundância; superando todos os tipos de “lepras” que geram exclusões, preconceitos, sofrimentos e morte. Façamos a nossa parte.
Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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