ANO: 24 | Nº: 6087

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
10/02/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

De novo, o lixo!

O início da atual administração municipal foi marcado pela grande expectativa por mudanças. Com a aprovação da maioria absoluta dos eleitores de Bagé, a nova administração rompeu um ciclo de dezesseis anos (quatro mandatos) do PT na administração municipal, com a promessa de uma gestão mais moderna, enxuta, transparente etc.
Não demorou muito para descobrirmos que uma das primeiras e principais mudanças estaria na troca da empresa da coleta do lixo. Poderíamos até nem perceber essa troca se ela não tivesse implicado, também, na substituição dos contêineres, alteração de horários/rotinas e, principalmente, uma flagrante dificuldade da nova empresa em dar conta do recolhimento do lixo.
Contêineres não foram substituídos, a coleta falhou em algumas regiões e horários e, com o lixo se acumulando nas ruas, a paciência dos contribuintes se esgotou rapidamente. Para jogar água na fervura, os novos administradores não demoraram a esclarecer aos contribuintes que os problemas eram transitórios, localizados e que faziam parte daquela, aparente, imperiosa substituição. Complementaram a informação dizendo que a nova empresa ampliaria significativamente a área com coleta por contêineres e, de lambuja, com uma significativa redução de custos, implicando em uma importante economia para os cofres públicos municipais.
No meio do ano passado, a situação, enfim, se normalizou, os ânimos arrefeceram, ainda que uma queixa aqui outra ali, insistissem em denunciar o não cumprimento das promessas e o atraso ou falta de coleta em alguns lugares do município.
Seguiu a vida, o ano terminou, tudo se normalizou e, agora, veio a surpresa: o reajuste no valor da taxa de lixo, cobrado juntamente com o IPTU. No meu caso particular, o reajuste alcançou a indecente marca de 36%, fazendo, inclusive, que ficasse mais caro até do que o IPTU com desconto de 20%. Fiquei sinceramente decepcionado com essa indigesta surpresinha de ano novo, proporcionada pela nova administração municipal.
Não tanto pelo reajuste em si (que acontece todo ano), nem pelo índice escorchante (coisa que o contribuinte tupiniquim já está até acostumado), nem pelo fato da taxa do lixo ultrapassar o valor do IPTU (fato que já tinha ocorrido em 2013), nem pela necessidade de revisão dos parâmetros de cobrança (que eventualmente até se justifica). A decepção é porque esse reajuste de 36% é escancarado e absolutamente contraditório com a promessa feita no início da gestão no sentido de que a troca da empresa era imprescindível, visto que a nova empresa de coleta faria um trabalho melhor, mais qualificado e, principalmente, por um preço menor. Ora, convenhamos, se o preço fosse menor o correto seria haver uma redução no valor da taxa de lixo e não um reajuste abusivo, que superou até o reajuste anunciado para a conta da CEEE .
Pensei: se a nova empresa de coleta é mais cara, por que não renovaram o contrato com a anterior? Se a nova empresa de coleta tem um custo menor, por que um reajuste de 36%? Se havia a necessidade de uma revisão nos índices (tanto que sancionou a lei aprovada em outubro de 2017), por que anunciou uma redução nos custos da coleta de lixo? Por que não foi dito, lá no início da gestão, bem no meio da “crise”, que havia uma séria defasagem entre a taxa e o custo da coleta? Afinal, se a explicação oficial é de que a defasagem já vinha sendo empurrada com a barriga por mais de duas décadas, considerando que o atual prefeito era presidente da Câmara de Vereadores, não dá para dizer que ignoravam essa realidade, né? Enfim, ações, omissões e contradições que maculam uma administração que assumiu um compromisso com inovações, mas não resistiu à tentação de reprisar velhas práticas e discursos, típicos de um tipo de política que ninguém suporta mais.
E mais, dizer que o aumento médio foi de apenas R$ 9, só se for na mensalidade, pois, na minha conta, paga em parcela única, o aumento foi de R$ 124,06, por um serviço que, até agora, no máximo, se iguala ao anterior. Lamentável! Os contribuintes bajeenses não mereciam isso.

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