ANO: 23 | Nº: 5865
10/02/2018 Fogo cruzado

“Maior desafio foi fazer chegar ao povo nossa visão sobre os temas em debate”, afirma Mainardi

Foto: Vanessa Vargas/Especial JM

Deputado adianta que deve focar na aprovação de projetos de sua autoria
Deputado adianta que deve focar na aprovação de projetos de sua autoria

Em entrevista exclusiva ao Jornal MINUANO, o deputado estadual Luiz Fernando Mainardi, do PT, adiantou que pretende concorrer a novo mandato na Assembleia Legislativa, em 2018. O petista falou sobre o ano legislativo, encerrado em janeiro, e adiantou posição a respeito de pautas articuladas no parlamento gaúcho. Ele revelou desafios e avaliou projetos do governo do Estado, a exemplo das Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que viabilizam as privatizações da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), da Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás), sem a necessidade de um plebiscito.


MINUANO– O senhor trabalhou pautas distintas no último ano legislativo, propondo, por exemplo, o reconhecimento como de relevante interesse cultural do Rio Grande do Sul o Rio Camaquã e alterações no Fundo de Desenvolvimento da Ovinocultura do Estado. Qual foi a agenda prioritária?

Mainardi - Sou um deputado de oposição e, ao mesmo tempo, um representante da região da Campanha e da Fronteira Oeste do Estado. Preocupo-me com o desenvolvimento da região e com a proteção de nosso patrimônio, ao mesmo tempo em que fiscalizo e pressiono o governo para atender as demandas justas da população gaúcha, particularmente às da região que represento. A defesa do Camaquã e o aprimoramento da produção ovina são dois temas centrais para Bagé a para a região. Mas fizemos muitas outras coisas também, como o trabalho de parceria para garantir as verbas necessárias para o funcionamento da Santa Casa. Vamos produzir uma prestação de contas destes três anos de mandato e apresentar à cidade e à região neste semestre.


MINUANO – O PT comandou a Assembleia Legislativa no penúltimo ano da legislatura. Que importância teve, para a oposição, esse espaço ocupado pelo partido?

Mainardi - Foi uma experiência rica, que repetiu o que já fizemos em nossas experiências passadas na presidência da Casa Legislativa. Duas características essenciais marcam as gestões petistas na Assembleia Legislativa: transparência e participação popular. Agimos conforme a Constituição e o Regimento Interno, mas nunca contra o povo, que pôde, após lamentáveis experiências com o PMDB e o PP, tornar a Assembleia um espaço de debates e exercer com liberdade pressões legítimas sobre os parlamentares.

MINUANO – Qual foi o maior desafio, para a oposição, ao longo do ano legislativo? E por quê?

Mainardi - O maior desafio foi fazer chegar ao povo nossa visão sobre os temas em debate no parlamento. Em muitas ocasiões, a TV e a rádio de maior audiência do Estado mostravam apenas o posicionamento do governo em relação aos temas em discussão. É injusto porque esconder uma opinião não tem nada a ver com a democracia e com o pluralismo, que são princípios que estão na base das concessões públicas que são feitas para os canais de comunicação. De qualquer forma, os funcionários públicos mobilizados e os espaços que temos nos veículos de comunicação regionais, como é o caso deste jornal, permitiu que nossa voz pudesse chegar ao povo. A acusação de que não temos um caminho alternativo para apresentar é falsa. O PT já governou o Estado e já mostrou o que pode fazer. Comparem qualquer governo do PMDB ou PSDB com os nossos sobre qualquer ponto de vista. Nossos governos sempre foram melhores. No “frigir dos ovos” é isso que interessa.


MINUANO – A discussão sobre a Lei Kandir ganhou espaço no parlamento gaúcho, mas registrou poucos avanços. Na sua opinião, por que não foi possível avançar no sentido de uma solução para a questão?

Mainardi - Houve uma indisposição política do governo Sartori em encarar esse tema. Essa má vontade indica, inclusive, o quanto Sartori e Temer são aliados. É evidente que a pressão pela reparação ao Rio Grande das perdas com a Lei Kandir, que hoje somam algo em torno de R$ 50 bilhões é ruim para o governo federal. Mas é muito bom para o Estado e infelizmente Sartori escolheu os interesses de seu partido em detrimento do Rio Grande nesse caso. Sartori agiu ao contrário do que disse que faria quando foi candidato, quando o seu slogan era “O meu partido é o Rio Grande”. Na verdade, queria apenas esconder que era do PMDB porque PMDB lembra Britto, que até agora era o pior governador que já tivemos, segundo pesquisas. Por coincidência, Sartori assumiu e recuperou a mesma agenda de Britto, de privatizações e negociação da dívida com prejuízos para o Estado. Britto aumentou em R$ 22 bilhões a dívida do Rio Grande do Sul, Tarso a diminuiu em R$ 20 bilhões e agora o Sartori, caso assine o acordo com a União, vai aumentá-la em mais de R$ 30 bilhões. É impressionante o prejuízo que cada governo do PMDB traz ao Estado.


MINUANO
- O novo ano legislativo é estratégico para os parlamentares que projetam reeleições, mas também é crucial para o PT. Quais serão as prioridades do mandato para 2018?

Mainardi - Eu sou candidato à reeleição. Quero continuar sendo o deputado que mais defende os interesses do povo de Bagé e da nossa região. Mas antes das eleições temos um semestre inteiro de trabalho na Assembleia. Meu foco será a aprovação dos meus projetos que estão na pauta, como os que foram citados em relação à defesa do Camaquã e ao reforço da ovinocultura. Mas também vou continuar ajudando o povo gaúcho a resistir aos projetos do Sartori. Se depender de nossa luta, Sartori não vai produzir o prejuízo que quer, entregando as empresas públicas para a iniciativa privada e negociando o futuro do Rio Grande com Temer. Quero também dar uma atenção especial à educação e à saúde, que são temas recorrentes e que o governador atual negligenciou.

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