ANO: 24 | Nº: 6084
15/02/2018 Segurança

Instalação de bloqueadores de celulares promete aprimorar controle carcerário

A obrigatoriedade da instalação de bloqueadores celulares em presídios avançou no Congresso. Na semana passada, o Senado aprovou, por unanimidade, o projeto de lei 32/2018, que trata do assunto. O projeto também determina que a instalação e manutenção serão pagas com recursos do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen).

Conforme a proposta, após a publicação da lei, os aparelhos devem ser instalados em até 180 dias. A medida vale para telecomunicação de celulares e radiotransmissores, entre outros. A lei se aplica a estabelecimentos penitenciários, unidades de internação e outros modelos do sistema penitenciário nacional.

Cenário local

O diretor do Presídio Regional de Bagé (PRB), Eduardo Padilha, lembra que, em 2017, mais de 200 celulares foram apreendidos. As revistas nas celas são feitas periodicamente, em diferentes horários. A quantidade recolhida a cada ação, segundo ele, depende do local onde a revista é realizada. Isto porque as facções estão divididas entre as galerias do PRB. Em celas onde há lideranças, por exemplo, as apreensões podem ser maiores.

Muitos dos celulares chegam até o presídio por meio de arremessos, como explica o diretor. “Muitas vezes pedem para que menores de idade joguem as encomendas por cima do muro”, relata. Além disso, alguns dos aparelhos podem chegar no corpo das visitas. Hoje, a casa prisional em Bagé possui um aparelho de raio-X. Entretanto, a máquina serve apenas para a verificação de objetos, para análise das bolsas e sacolas que entram no PRB em dias de visitação.

Geralmente, segundo Padilha, a maior parte dos objetos são arremessados em direção às galerias femininas, o lugar de mais fácil acesso. No entanto, muitos são entregues às alas masculinas. Em função disso, o número de celulares, proporcional ao de apenados, geralmente é maior na galeria onde estão as mulheres. Em uma das revistas, de 2017, chegou a ser registrada a média de um celular por apenada.

Os aparelhos também servem para o comércio entre os presos, que podem vender ou alugar celulares. Há, também, crimes que são comandados de dentro dos presídios. O latrocínio do tradicionalista Gilberto Bittencourt Silveira, 48 anos, ocorrido em Bagé, por exemplo, conforme as investigações da Polícia Civil, foi conduzido de dentro do Presídio Regional de Pelotas.

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...