ANO: 24 | Nº: 6183

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
15/02/2018 João L. Roschildt (Opinião)

Sem surpresas

Desde que oficializou sua pré-candidatura à Presidência da República, em novembro do ano passado, Manuela d'Ávila (PCdoB) ocupou, com maior destaque, a grande mídia. Processo natural para quem deseja comandar o país. Ainda mais porque, em recente passagem por Lisboa, Manuela declarou ao site SAPO que é “candidata pra valer e ir até ao fim”. Portanto, nada mais justo do que levar a sério (e sem piadas) as suas ideias.

A aspirante ao poder nacional, em entrevista ao programa Canal Livre de 04/12/2017, quando foi indagada sobre a ausência de autocrítica por parte de seu partido quanto aos escândalos de corrupção em que o PT estava envolvido (o PCdoB era grande aliado de Lula-Dilma), disse que a ética dos companheiros (PT) não é de sua conta; afinal, ela cuida exclusivamente de seu partido. O jornalista Ricardo Boechat contestou que não houve condenação pública por parte do PCdoB, o que seria um erro. Manuela disse que quem condena é o Poder Judiciário. Uma enorme evasiva sobre tema caro (a ética) à política. Mas se o STF condenou a cúpula do PT no caso Mensalão, porque Manuela e seu partido se omitem quanto a esse tema? Eis a Manuela, a mesma que convocou em seu Twitter um tribunal paralelo (composto por amigos, por óbvio) para o julgamento do ex-Presidente Lula, deslegitimando a atuação do TRF-4. Já imaginaram o tratamento midiático se algum político não alinhado com o progressismo propusesse um tribunal desse tipo em outra situação qualquer?

Na mesma entrevista ao Canal Livre, ao ser questionada sobre o tema da democracia na Coreia do Norte (o PCdoB já emitiu nota de pesar sobre o falecimento do ditador Kim Jong-Il e carta de apoio irrestrito e absoluto àquele regime) e na Venezuela, Manuela, mais uma vez, se esquivou quanto a juízos de valores: para a comunista, a Venezuela está trilhando seu próprio caminho e sua luta é para que os povos tenham o futuro em suas próprias mãos. Pelo visto, o povo da Venezuela está com o futuro em suas mãos, e a cúpula de ditadores naquele país é uma criação da mídia golpista...

Em entrevista ao Estadão, a pré-candidata declarou que “não há razão para o mercado se assustar com o PCdoB”. Pensando em um padrão argumentativo sem grandes contradições (algo difícil para um progressista/ comunista), ao se levar em conta o estado da economia e da democracia na Venezuela, creio que essa declaração cause calafrios naqueles que prezam pelo livre mercado. Ou seria Manuela uma humorista?

Piadas não são muito bem digeridas pela comunista. Basta ver o processo judicial movido contra o site de humor Joselito Müller, por conta da famosa foto em que a política aparece em Nova Iorque com a Estátua da Liberdade ao fundo. Na “matéria”, Manuela supostamente afirma que desejava ir para Havana, mas como não levou mapa ou bússola, acabou indo para os EUA, ao mesmo tempo que confundiu a Estátua da Liberdade com Che Guevara. Voltando à realidade, Manuela afirmou no processo que essas informações foram “mortalmente ofensivas, abusivas e desrespeitosas”. Resultado? Joselito se sagrou vitorioso na batalha judicial.

As declarações, as incoerências, as omissões e os atos em nome da causa já são conhecidos. Por mais que a face externa da ideologia comunista seja revestida de compaixão e sorriso terno, não há surpresa com o seu conteúdo.

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