ANO: 25 | Nº: 6261

Luiz Fernando Mainardi

luiz.mainardi@al.rs.gov.br
Deputado Estadual
21/02/2018 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Banrisul forte e público

Nesta terça-feira (20 de fevereiro), poucos dias após o Carnaval, os jornais estamparam em suas manchetes o histórico lucro alcançado pelo Banrisul, que chegou a mais de R$ 1 bilhão pela primeira vez. O resultado é, sem dúvida, fruto de uma gestão bem feita e da qualidade de seus funcionários, características, aliás, que têm sido mantida por diversos governos.

O lucro recorde do banco, que se deu em uma conjuntura política e econômica favorável ao capital financeiro, quando vários bancos privados também alcançaram resultados superpositivos em seus balanços, indica uma clara hegemonia deste setor do capital no Brasil e no mundo. A financeirização do capitalismo contemporâneo é uma realidade no cotidiano de qualquer empresa e/ou cidadão, que precisam de crédito e financiamento de forma permanente para sobreviverem.

Esse dado deveria ser suficiente para que os estados entendam o quanto é fundamental manter um pé (e se possível os dois) no setor financeiro. A ideia que bancos públicos são resultado de concepções ultrapassadas nada mais é do que um discurso ideológico, reproduzido justamente por agentes que representam os interesses do capital financeiro privado. Esse discurso pretende, na verdade, encobrir o caráter estratégico e central que este tipo de atividade cumpre nas transações econômicas e, em última instância, justificar a subordinação dos estados ao capital financeiro privado, cada vez mais internacionalizado.

Então, temos que comemorar o lucro do Banrisul, que revela uma instituição que se mantém forte, mesmo sob ataque político e ideológico, mesmo submetido a um discurso catastrófico de um governo cujo centro programático é o desmonte do Estado, através de privatizações e cortes no financiamento das políticas públicas.

O lucro do Banrisul é um tapa de luvas no governo Sartori, que, embora nunca tenha reconhecido, flerta abertamente com a sua privatização, exigência, aliás, que está explícita no documento que pretende assinar com o governo federal, de adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

O acontecimento deveria servir para uma reflexão mais ampla sobre a importância das empresas públicas para a autonomia dos estados frente ao grande capital privado. Se é verdade que o desenvolvimento de qualquer país e/ou região não pode prescindir de uma participação ampla e livre do capital privado, notadamente o capital industrial, é verdade, também, que o Estado precisa ter capacidade de orientar este desenvolvimento, de forma a que ele sirva ao conjunto da sociedade.

É por isso que empresas públicas como as de energia, finanças e saneamento, como são o caso das empresas públicas gaúchas, devem ser preservadas e podem, com uma gestão de qualidade, cumprir um papel fundamental para o desenvolvimento e para garantir parceria e complementaridade aos interesses do capital privado que pretende se instalar no Rio Grande do Sul.

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...