ANO: 26 | Nº: 6525
22/02/2018 Fogo cruzado

Jairo Jorge defende redução de impostos e desburocratização para enfrentar crise

Foto: Tiago Rolim de Moura

Pedetista alega que ações como venda de estatais já foram executadas e não tiveram efeito positivo
Pedetista alega que ações como venda de estatais já foram executadas e não tiveram efeito positivo
Bagé entrou na rota definitiva de políticos que postularão um cargo nas eleições deste ano. Na noite de terça-feira, por exemplo, o pré-candidato a governador pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), Jairo Jorge, cumpriu agenda pela Rainha da Fronteira, onde permaneceu até ontem, por volta do meio-dia.
Jorge, que exerceu a função de prefeito de Canoas, pelo PT, entre 2009 e 2016, realiza, desde o ano passado, uma espécie de caravana com o objetivo de visitar todos os municípios do Rio Grande do Sul. Além de buscar elencar demandas e se inteirar da realidade de cada cidade, o hoje pedetista promove um ato simbólico: planta a muda de uma árvore em cada local visitado. O que, segundo ele, representa uma crença de esperança num futuro melhor. "As pessoas estão desencantadas. Quem planta tem que ter paciência (...), nesse caso plantamos para os anos que virão, para os filhos, netos", ponderou.
Na Rainha da Fronteira, após plantar uma muda da árvore cocão na praça da Catedral de São Sebastião e participar de um seminário denominado "O RS tem solução", na noite de terça-feira, ele concedeu entrevista ao Jornal MINUANO ontem pela manhã.

Reencontro e projeções para a região
Logo no início da conversa, o pré-candidato lembrou sua ligação com Bagé, conforme ele marcada pela sua atuação, quando secretário executivo do Ministério de Educação (MEC), no processo que acabou culminando com a criação da Universidade Federal do Pampa. "Participei dos debates com a Urcamp, coordenando os encontros e, na época, vim como ministro interino", recordou.
Ao mesmo tempo, o pré-candidato se disse convencido de que a atuação direta junto a cada região, caso eleito, será um norte de seu governo. "A participação das universidades, como a Urcamp, é importante para o Rio Grande do Sul se tornar um celeiro de inovações. O investimento em tecnologias, explorando novos setores, será determinante", comentou. Seguindo tal raciocínio, e indagado se concorda com a geração de energia elétrica tendo como base o carvão mineral, abundante em Candiota, se disse favorável. "Existem muitas tecnologias para controlar os efeitos deste sistema. É claro que vivemos mudanças no clima e temos que nos preparar para o futuro, com alternativas. Mas o carvão, hoje, é quem pode nos dar segurança caso as hidrelétricas sejam afetadas pelas estiagens. Só não se investe porque quem manda no País, hoje, é São Paulo. E não houve este interesse", sustentou.
Além de tais menções, Jorge adiantou o que será parte integrante do seu plano de gestão. "Vou retomar os Coredes (Conselhos Regionais de Desenvolvimento) e, em cada um dos 28, haverá um escritório de governo, onde terá alguém para representar e comandar nossa gestão em cada região", disse ao defender que tal processo poderá aproximar o governo das demandas específicas de cada território gaúcho. "E eu irei visitar cada um destes locais a cada semana", afirmou, justificando que, desse modo, gestores municipais terão a oportunidade de pleitearem ações do Estado de forma ágil e direta.

RS tem solução
Ao longo da entrevista, o pedetista reiterou, em mais de uma ocasião, que o Rio Grande do Sul tem capacidade suficiente para enfrentar o problema econômico que enfrenta, o qual reconheceu como existente. "Eu sou otimista, mas que usa guarda-chuva. A crise é séria, profunda, não é uma marolinha. Mas a solução não é aumentar imposto, vender empresas públicas. Isso todos já fizeram e não deu certo. Temos que buscar soluções novas", argumentou, ao frisar que o executado até então somente repercutiu, entre outras coisas, com a diminuição dos postos de trabalho.
Questionado sobre quais seriam, então, as soluções, o pré-candidato apontou dois eixos como fundamentais. "Temos que ser austeros e ter capacidade de crescer. Para isso, entendo ser necessária a redução da carga tributária e, ao mesmo tempo, a desburocratização", apontou. Tais medidas, segundo ele, tiveram resultado positivo quando fora prefeito de Canoas. "Nós aumentamos a arrecadação a partir da instalação de 19.998 empresas", relembrou ao evidenciar que isto não apenas garantiu mais verba ao Executivo, mas ampliou a oferta de empregos.
O Regime de Recuperação Fiscal defendido pela atual gestão estadual também pautou a conversa. Segundo Jorge, apesar do Rio Grande do Sul necessitar, de fato, de uma ação em busca do reequilíbrio, algumas cláusulas do projeto em pauta são nocivas. "Primeiro de tudo porque a União vai mandar no Estado. Os investimentos ficarão dependendo do aval de dois técnicos do Tesouro e um da Fazenda. Fora isso, a não cobrança momentânea da dívida é uma solução de respiro, não de fôlego. É o governo olhando para o próprio umbigo. Se eu for eleito vou renegociar todas as cláusulas que achar que são nocivas", garantiu o pré-candidato.

"Vou me dedicar ao trabalhismo", atestou
Ao final da entrevista, questionado sobre seu desligamento do PT e ingresso no PDT, disse que, na atualidade, se sente "em casa". Ponderou que sua saída do quadro petista foi amigável e que ocorreu, unicamente, por divergentes de opinião. "Busquei um partido que tivesse afinidades com as minhas ideias. O PDT defende, acima de tudo, a Educação e eu sou assim. Sou de família humilde e cresci porque me formei jornalista em uma universidade pública. Posso dizer que vou me dedicar ao trabalhismo", concluiu.

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