ANO: 24 | Nº: 6136
23/02/2018 Universo Pet

A hora certa de adotar um pet

Foto: Divulgação

A convivência de uma criança com um animal de estimação pode ser muito rica. Os pets podem ajudar os pequenos a aprender lições como o senso de responsabilidade, por exemplo. Porém, é preciso que os pais acompanhem e façam com que os filhos colaborem nos cuidados com os amigos de quatro patas.

Como os animais podem ajudar no desenvolvimento das crianças
Para a psicóloga Dilce Helena dos Santos, não há uma idade ideal para presentear o filho com um pet. O melhor é adotar o animal quando a criança tem condições de entender regras. “Algumas crianças desenvolvem isso mais cedo, outras mais tarde”, comenta. Ela também ressalta que, mesmo que a prática seja comum hoje, não é “obrigatório” ter um animal de estimação e é importante fazer isso com muita responsabilidade.

Dilce explica que o pet não é “mágico”. Não basta apenas, para os pais, entregar o animal nas mãos da criança - é necessário que o filho participe dos cuidados. Assim, a criança poderá desenvolver seu senso de responsabilidade. A psicóloga salienta que quando os pais tomam para si todas as tarefas relacionadas ao animal a criança pode perder a ideia de que “as coisas não são feitas sozinhas”. “A ideia é receber um amor incondicional, mas também realizar as tarefas necessárias”, afirma.

Os filhos precisam estar envolvidos na criação dos pets. “Alguém tem que levar para passear, limpar os cocôs e os xixis, fazer vacinas, ir ao veterinário, comprar acessórios. De onde vão sair esses gastos? Da mesada? A criança precisa entender que tudo tem um custo”, destaca.

Os filhos também podem aprender a conviver com o que é diferente. Dilce aconselha não atribuir hábitos humanos a gatos ou cachorros. “Uma criança que humaniza excessivamente o seu bichinho pode ser alguém que, no futuro, vai querer que o namorado seja exatamente do jeito que ela quer”, exemplifica. Os pets também podem ensinar que seres vivos têm limites e cada um reage de forma diferente ao que acontece a seu redor. As criança podem aprender com as surpresas e como não tem controle sobre outro ser vivo.

Com os animais, as crianças poderão aprender a expressar carinho e que o “carinho demais pode sufocar”. Elas podem entender a medida certa do cuidado, como explica a psicóloga.

Dilce ressalta que são necessários os cuidados com higiene. Além disso, quando a criança pede um animal de estimação, a psicóloga aconselha a família a conversar com o pediatra do filho, já que, muitas vezes, ela pode ter alguma característica que dificulte a adoção, como uma alergia, por exemplo. A profissional também alerta para as necessidades do animal. Os pets precisam de determinadas condições de habitação e é preciso estar atento ao bem-estar deles.

A psicóloga ressalta que antes de adotar é interessante conversar com a criança e saber qual a sua expectativa. Muitas vezes, o filho não quer ainda ter a responsabilidade de cuidar de um pet, mas apenas um contato mais breve, como uma ida ao zoológico, por exemplo.

Em casos em que não é possível criar um animal, os pais também podem levar o filho até outra casa, onde há um pet. “É importante para a criança essas sensações, sentir o pelo dos animais, por exemplo. A criança precisa desse estímulo”, diz.

A perda

Dilce explica que, muitas vezes, quando os animais morrem, os pais podem ter dúvidas sobre como lidar com a situação. Mas este momento também será um aprendizado para os pequenos. É importante que a criança entenda que alguns seres são mais frágeis ou têm um tempo de vida menor. É uma forma de aprender, por meio de uma experiência, que tudo nasce, se desenvolve e morre, enquanto outras coisas continuam - e isso é normal.

O ideal, segundo a psicóloga, é conversar antes de adotar um pet e explicar ao filho que isto pode acontecer. O sentimento do filho, neste momento, não deve ser supervalorizado - os pais não devem ficar aterrorizados com a situação. Mas também não deve ser menosprezado. A criança precisa aprender que “dói, mas se supera”.

Também é aconselhável deixar a criança passar pelo luto, sem tentar substituir o animal. “Quando um avô morre, você não dá outro avô para a criança”, exemplifica. Os pais devem deixar o filho lidar com a falta.

Depois de um tempo, se a criança sentir a necessidade da companhia de um novo amigo, a família poderá adotar novamente um pet. “Nós amamos muitas vezes e de muitas formas diferentes ao longo da vida”, diz.

O animal também pode colaborar em outras situações, como quando a família perde um membro, por exemplo. “Eles muitas vezes ajudam a passar por essa transição, pelo luto”, explica Dilce.

 

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