ANO: 24 | Nº: 6058
24/02/2018 Campo e Negócios

Abertura da colheita do arroz é marcada por pedido de ajuda ao governo

Foto: Fagner Almeida/Especial JM

Presidente da Federarroz enfatizou que faltam recursos para tornar comercialização competitiva
Presidente da Federarroz enfatizou que faltam recursos para tornar comercialização competitiva
 
Com a busca de alternativas para o contexto econômico do setor orizícola e a solicitação de medidas de apoio público, foi aberta oficialmente na sexta-feira, 23 de fevereiro, na Estação Experimental do Arroz, do Irga, em Cachoeirinha, a colheita do arroz. Autoridades e produtores rurais prestigiaram o desempenho de quatro colheitadeiras na lavoura preparada para o evento. A cerimônia se encerrou com a tradicional “chuva de arroz”, onde os produtores comemoram os resultados do processo produtivo.  
O presidente da Federação de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Henrique Dornelles, enfatizou que faltam recursos para promover comercialmente o arroz gaúcho e torná-lo competitivo em relação aos outros estados. “É mais complexo que somente custo de produção”, avaliou, fazendo um apelo ao governador José Ivo Sartori para a redução do ICMS e da Taxa de Cooperação e Defesa da Orizicultura (CDO). Dornelles também criticou a fiscalização realizada pelo Ministério da Agricultura e solicitou o auxílio do órgão nesta questão. “Estamos passando por uma injustiça social e econômica. A gente acaba por se emocionar quando a colheitadeira passa, mas estamos celebrando sem nenhuma festa”, finalizou. 
O governador demonstrou disposição em avaliar uma eventual diminuição de imposto. “Tenho acompanhado as dificuldades do setor arrozeiro, sabemos que os produtores enfrentam falta de renda e que a safra de 2017 será menor. Vamos ver o que é possível propiciar em relação ao ICMS, e precisamos rediscutir as regras do Mercosul para que os agricultores não sofram ainda mais prejuízos”, disse.
Nesse sentido, o secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, Ernani Polo, propôs a união do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná para conquistar condições de competitividade. “Não podemos admitir que produtores de arroz, de trigo e de leite paguem a conta. Quando o produtor não tem renda, não compra máquina, não renova e atinge a economia dos municípios, do Estado e do País”, salientou.   
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, destacou que, apesar do momento difícil pela qual se encontra o Brasil, o órgão avançou em temas como a regularização do seguro, o preço mínimo do arroz e do trigo e o primeiro leilão de PEP e Pepro, embora ainda precise evoluir no orçamento. O secretário ressaltou que pretende encaminhar ao  Ministério da Fazenda o alongamento do custeio. “As parcelas que foram renegociadas ano passado e estão vencendo agora precisam ser consolidadas pela equipe econômica e pelo voto do Conselho Monetário Nacional”, explicou. Ele afirmou estar disponível para discutir a política de preços mínimos. “Tragam os custos, vamos abri-los, se o governo federal estiver errado, faremos o enfrentamento, mas tem de ser de forma clara. Nós também vamos fazer o dever de casa”, assegurou. 
O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) Carlos Sperotto, falecido em dezembro do ano passado, foi homenageado no início da cerimônia. Em nome da família do líder ruralista, a esposa Mariana Geiss e os filhos Marlova, Alexandre e Carlos Eduardo Sperotto receberam da Federarroz a tradicional Pá de Arroz. A ferramenta é entregue àqueles que contribuíram para o setor.
 

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