ANO: 25 | Nº: 6398

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
24/02/2018 Airton Gusmão (Opinião)

Escutar a palavra para mudar

"Este é o meu Filho amado. Escutai o que ele diz" (Mc 9,7). Abraão, Paulo e Jesus souberam escutar, acolher e se deixaram conduzir pela Palavra de Deus.
Estamos vivendo o tempo quaresmal como um tempo especial de escuta da Palavra de Deus. Porém, esta Palavra necessita ser acolhida continuamente por todos os que querem ser discípulos de Jesus Cristo; pois não se fazem discípulos que fecham os ouvidos às palavras do seu mestre.
Todos somos convidados a responder ao Senhor que nos fala, dando a nossa resposta pela fé; pois a virtude teologal da fé vem da pregação pela Palavra de Cristo (Rm 10,17). É importante sempre lembrar, neste itinerário de se tornar discípulo missionário de Jesus Cristo que, um dos lugares de encontro com o Senhor, é a Sagrada Escritura, lida na Igreja. Ela, Palavra de Deus, escrita por inspiração do Espírito Santo, é com a Tradição, fonte de vida para a Igreja e alma de sua ação evangelizadora (Documento de Aparecida, nº 247).
Também é necessário ouvir os outros. Deus nos fala através da história, dos acontecimentos, de modo especial nos pobres, aflitos e doentes; pois o encontro com Jesus Cristo através dos pobres é uma dimensão constitutiva de nossa fé em Jesus Cristo (Documento de Aparecida, nº 257).
Pedro, diante da experiência da Transfiguração, disse: "Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas" (Mc 9,5). Pedro pensa que o alto da montanha é o melhor lugar para permanecer; porém, ele ouvia tão somente a própria voz. Quando ouvimos a própria voz, deixamos de ouvir a voz de Deus.
É preciso descer da montanha, continuando a missão de Jesus Cristo, fazendo o caminho para dentro da realidade. O seguidor de Jesus precisa descer do "monte" do fechamento, da indiferença, do egoísmo, da não-participação, da violência, e escutar e reconhecer Cristo desfigurado, presente na pessoa dos irmãos e estender as mãos para servi-los.
Nesta exigência da fé do encontro com Jesus Cristo nos pobres e aflitos, diante das múltiplas formas de violência, a Campanha da Fraternidade nos convida a promover a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da Palavra de Deus, como caminho de superação da violência.
Para a busca de superação da violência, o texto-base da Campanha da Fraternidade apresenta algumas pistas de ação concreta: ter como critério o Evangelho, que revela as palavras, as motivações e o agir de Jesus; renunciar a qualquer forma de violência; o respeito pela dignidade das pessoas e o engajamento na luta para que esta dignidade seja respeitada em todas as condições da vida humana e promover uma cultura que respeite as diferenças, combatendo o preconceito e a discriminação.
Transfigurados por Jesus Cristo para a nossa transfiguração e a do mundo acontecer. Isto é ser hoje sal da terra e luz do mundo. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade!

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