ANO: 25 | Nº: 6282
01/03/2018 Cidade

Reunião entre municípios da região e autoridades do Estado debate soluções para perdas causadas pela estiagem

Foto: Antônio Rocha

Prefeitos apresentaram demandas aos representantes do governo gaúcho
Prefeitos apresentaram demandas aos representantes do governo gaúcho

Representantes dos municípios mais atingidos pela estiagem na região da Campanha se reuniram, ontem, com autoridades do governo estadual. O encontro foi realizado à tarde, no salão oval da Prefeitura de Bagé, com o objetivo de auxiliar as lideranças dos municípios que tiveram mais perdas com a seca, para que enfrentem a situação da maneira mais adequada.

Na ocasião, estiveram presentes autoridades das prefeituras de Bagé, Aceguá, Candiota e Hulha Negra. O encontro foi aberto com o pronunciamento do subchefe da Defesa Civil do Estado, Jarbas Trois de Ávila, que explicou aos presentes sobre o funcionamento do processo para que estes municípios recebam recursos do Estado, com a intenção de melhorar a atual qualidade de vida das famílias prejudicadas pela intempérie. Ele destacou que o único município da região a ter encaminhado um pedido formalmente, até o momento, foi Hulha Negra.

Num primeiro momento, Ávila se dispôs a ouvir os pedidos dos prefeitos e demais autoridades, para então dizer o que poderia ser feito pela Defesa Civil e quais eram as demandas que deveriam ser repassadas para a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), a qual seria encarregada pelas questões que envolvessem saúde animal e empréstimo de maquinário. O representante da Defesa Civil do Estado também pôs à disposição dos municípios, uma equipe técnica que poderia explicar sobre os trâmites necessários para formalizar os pedidos e fazer o encaminhamento dos mesmos.

Entre as necessidades indicadas pelas prefeituras se destacavam a perfuração de poços artesianos, a entrega de cestas básicas e a distribuição de reservatórios residenciais para as famílias mais afetadas com a falta de água, além de auxílio monetário para obras e projetos que envolvessem o assunto.

Bagé

De acordo com o diretor do Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb), Volmir Silveira, o município deve fazer os pedidos de perfuração de poços para a zona rural, compra de maquinário para reativação de reservatórios urbanos, construção de cisternas e açudes, escaneamento de rede para detectar vazamentos e ligações clandestinas e 5 mil caixas d'água.

Representando o prefeito de Bagé, Divaldo Lara, o vice-prefeito, Manoel Machado, disse que o poder Executivo teria o encaminhamento formal dos pedidos como prioridade, destacando que a procura por alternativas para superar a falta de água é uma demanda que não pode ser adiada. Ele salientou que o município também deve pedir cestas básicas para as famílias mais afetadas pela estiagem.

O coordenador da Defesa Civil Municipal, Ronaldo da Rosa, conta que no último levantamento da Emater Regional, Bagé tinha registrado uma perda de 30% no cultivo de soja e 50% na produção de leite. Ele espera que após esta reunião, e com a ajuda do Estado, a situação do município seja amenizada. As perdas em Bagé já ultrapassavam R$ 50 milhões.

Aceguá

Aceguá é o município da região que mais demorou a declarar situação de emergência, no dia 19 de fevereiro, sendo que ainda aguarda a homologação do Estado e o reconhecimento do governo federal.

De acordo com o prefeito de Aceguá, Gerhard Martens, a demora na declaração aconteceu porque nas reuniões com os produtores locais os envolvidos ainda tinham esperança de que as chuvas voltassem a ocorrer e normalizassem a produção. Atualmente, o prejuízo do município já ultrapassa R$ 18 milhões na produção de soja e R$ 2,5 milhões na bacia leiteira, fora que o município também teve grande queda nos demais setores de sua agropecuária.

Durante a reunião, Martens destacou o pedido de cestas básicas e caixas d'água para as 553 famílias do município que estão registradas no CadÚnico, além da distribuição de produtos para a alimentação do gado. O prefeito também pediu por auxílio na construção de uma Estação de Tratamento de Água (ETA) e a perfuração de mais um poço artesiano no município.

Hulha Negra

A Prefeitura de Hulha Negra foi a primeira da região a declarar emergência. Atualmente, o prejuízo beira os R$ 9 milhões. Segundo o prefeito Renato Machado, as perdas na produção de leite já chegaram a 60%. O cultivo de soja no município também teve uma queda de aproximadamente 30%.

Abastecida por oito poços artesianos, a cidade vive uma situação preocupante, porque muitas destas reservas secaram e perderam vasão. "Hoje nós temos 60% do volume de água que teria em uma situação normal, para distribuir a toda a comunidade", conta.

Candiota

Conforme o prefeito de Candiota, Adriano dos Santos, a perda na economia do município supera os R$ 12 milhões. A bacia leiteira, segundo ele, se encontra praticamente parada e o fim do racionamento de água depende da construção de novos reservatórios.

A situação de emergência do município já foi homologada pelo Estado. O chefe do Executivo contou que algumas das maiores demandas de Candiota seriam a construção de reservatórios individuais, nas terras das famílias afetadas pela estiagem, e a distribuição de cestas básicas para as mesmas.

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