ANO: 25 | Nº: 6384

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
03/03/2018 José Artur Maruri (Opinião)

A família em processo educativo

Inicialmente, oferecendo continuidade ao trabalho exposto na última semana, quando nos dedicamos ao relacionamento familiar, temos a oportunidade de refletir sobre o processo educativo a que a família não pode se dissociar.

Allan Kardec, em publicação da Revista Espírita, no mesmo mês em que nos encontramos, só que do ano de 1865, ponderou sobre as famílias homogêneas de espíritos felizes, norte no qual devemos focar: “Os espíritos felizes, atraindo-se pela similitude de gestos e sentimentos, formam vastos agrupamentos ou famílias homogêneas, no seio das quais cada individualidade irradia as qualidades próprias e satura-se dos eflúvios serenos e benéficos emanados do conjunto. Os membros deste, ora se dispersam para se darem à sua missão, ora se reúnem em dado ponto do Espaço a fim de se prestarem contas do trabalho realizado, ora se congregam em torno dum Espírito mais elevado para receberem instruções e conselhos”.

Como se vê, não será o desenlace do espírito com a matéria que fará com que as afinidades espirituais se dispersem no Espaço, ou seja, o processo educativo não se finda com a morte, ele permanece incessantemente congregando Terra e Espaço em evolução contínua, quer queiramos ou não. Por sua vez, o espírito Benedita Fernandes reflete sobre a urgência da educação das novas gerações e a relevância da família no organismo social da Terra: “Santuário dos pais, escola dos filhos, oficina de experiências, o lar é a mola mestra que aciona a humanidade. Nele caldeiam-se os sentimentos , ligam-se as arestas da personalidade, acrisolam-se os ideais, santificam-se as aspirações, depuram-se as paixões e formam-se os caracteres, numa preparação eficiente para os embates inevitáveis que serão travados, quando dos relacionamentos coletivos na comunidade. Isso, porém, quando o lar, por sua vez, estrutura-se sobre os alicerces ético-morais dos deveres recíprocos, cimentado pelo amor e edificado como material da compreensão e do bem”.

No entanto, quando oferecemos vistas ao progresso, se torna necessário que os Espíritos integrantes de um núcleo familiar eduquem-se pelo método, dito pelo espírito Vianna de Carvalho, mais eficaz – o exemplo.  Nessa linha, o Espírito Amélia Rodrigues fala sobre a importância do exemplo para as efetivas aprendizagens: “O primeiro passo de quem ensina deve ser dado no sentido de educar-se. Todos somos educadores. Educamos pelo que fazemos, educamos com o que dizemos. Quem não educa no sentido positivo, edificando, educa, no sentido negativo, danificando o caráter. Educa-se, pois, bem ou mal, segundo as próprias possibilidades”.

Já dizia o grande educador Pestalozzi, mestre do professor Rivail – Allan Kardec – o teórico que incorporou o afeto à sala de aula: – O amor é o fundamento eterno da educação. Trabalhemos pelo progresso, mas sem descartar que devemos educar-nos primeiro a fim de que estejamos aptos a oferecer o melhor exemplo, a fim de que no dia em que nos reunirmos novamente para prestarmos contas de nossas ações possamos regozijar-nos na paz do Senhor. “O amor conjugal, o amor materno, o amor filial ou fraterno, o amor da pátria, da raça, da Humanidade, são refrações, raios refratados do amor divino, que abrange, penetra todos os seres e, difundindo-se neles, faz rebentar e desabrochar mil formas variadas, mil esplêndidas florescências de amor”. – Léon Denis

Referência: Espiritualidade nas Relações, para viver e conviver em paz. Educando a afetividade no Relacionamento Familiar (Miriam Masotti Dusi)

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