ANO: 24 | Nº: 5958

Luiz Fernando Mainardi

luiz.mainardi@al.rs.gov.br
Deputado Estadual
07/03/2018 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Dia das mulheres, dia de luta

Nesta quinta-feira (8), comemoramos, mais uma vez, o Dia Internacional da Mulher, data definida pela ONU desde 1975, mas comemorada pelo movimento social e feminista desde o início do século XX. É um dia de reconhecimento à luta diária das mulheres, que, muitas vezes, são obrigadas a jornadas duplas de trabalho, tanto no sua prática profissional quanto no lar, onde, ainda hoje, majoritariamente, assumem a totalidade das funções de manutenção da casa.

É um dia, também, em que precisamos lembrar o fato de que a desigualdade de oportunidades e salários ainda se mantém. Em uma pesquisa apresentada, em 2017, pela Catho, uma empresa de classificados de empregos em São Paulo, entre 28 setores pesquisados, as mulheres ganhavam menos do que os homens em 25. Segundo matéria publicada na época, essa desigualdade salarial entre os gêneros também é observada na análise da renda da população. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda média nacional do brasileiro, em 2017, era de R$ 2.043, mas enquanto os homens tinham uma renda média de R$ 2.251, as mulheres recebiam, em média, apenas R$ 1.762, uma diferença de R$ 489.

Na história do PT, essa sempre foi uma de nossas principais lutas. Lembro que em boa parte de meu mandato de prefeito em Bagé, 50% do secretariado era feminino. Essa equidade de gênero é uma forma concreta e eficiente de garantirmos a realização dos direitos das mulheres nas políticas públicas. Por isso, inclusive, tivemos programas bem sucedidos de inclusão e equidade de gênero, como o programa “Mulheres Chefes de Família”, de qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho. Criamos, também, a Casa da Menina e a Casa da Mulher, instituições de acolhimento para meninas e mulheres vítimas de violência doméstica, entre outras ações.

Foi igualmente em um governo do PT, o do ex-governador Tarso Genro, que se criou uma secretaria específica para tratar do tema, dada a importância que sempre dispensamos a este aspecto da luta pela igualdade. A Secretaria de Política para Mulheres (SPM) iniciou diversas ações de criação e fortalecimento de estrutura protetivas contra a violência, como a Patrulha Maria da Penha, no âmbito da Brigada Militar, de fomento à autonomia financeira e empreendedorismo feminino, como foi o programa Cimento e Baton, que fomentava a inserção das mulheres trabalhadores no mercado da construção civil.

Vivemos agora, infelizmente, um período de desmonte dessas estruturas, desenvolvido pelo governo Sartori. Aparentemente, para o atual governador não se trata de um tema de primeira importância. O esvaziamento da estrutura montada no governo anterior resultou na extinção de programas e em um baixíssimo investimento na produção da igualdade e equidade entre os gêneros no Rio Grande do Sul.

Não há como pensar em recuperação e desenvolvimento para o Rio Grande do Sul e para o país sem projetos voltados para a inclusão de mulheres no mercado de trabalho, com qualidade e igualdade de condições. Igualmente, para pensarmos em uma sociedade de paz, é fundamental que combatamos qualquer tipo de violência, principalmente contra as mulheres.

Apesar deste desmonte, típico desta época de golpe contra a democracia e contra os trabalhadores, é preciso continuar a resistência e a luta das mulheres por um mundo mais igual e democrático. Essa luta, feita pelas mulheres, mas também pelos homens que têm compromissos com o ideário feminista, de equidade e igualdade, é o que poderá ampliar iniciativas de combate à violência, na oferta de oportunidades de educação, profissionalização, garantia de emprego e renda, remuneração igualitária e aumento da participação das mulheres na política, em todas as esferas. Essas causas têm de ser de todos nós, hoje e sempre.

Parabéns a todas as mulheres pela coragem e bravura com que sonham, lutam e enfrentam as dificuldades.

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...