ANO: 25 | Nº: 6235
10/03/2018 Cidade

Gedeão Pereira: um bajeense no comando da Farsul e do Sebrae

Foto: Antônio Rocha

Entrevistado recorda ligação com o ex-presidente Carlos Sperotto e fala em objetivos nas atuais funções
Entrevistado recorda ligação com o ex-presidente Carlos Sperotto e fala em objetivos nas atuais funções

Aos 69 anos, o bajeense Gedeão Pereira vive uma rotina de trabalho intensa. Produtor rural e médico veterinário por formação, tem de se esmeirar para acompanhar o cenário das plantações e do gado que cria. Mas somente aos finais de semana. De segunda a sexta-feira, a atual lida não permite. Os cargos que exerce ocupam quase que todo o seu tempo, desde o início da manhã até noite adentro.
A nova realidade teve início, de fato, quando assumiu a presidência da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), no ano passado, após a morte do titular da entidade por quase duas décadas, Carlos Sperotto. Este ano, desde fevereiro, também acabou assumindo outra responsabilidade de grau em proporcional tamanho, como presidente do Conselho Deliberativo Estadual do Sebrae/RS. “As duas entidades são muito grandes, têm propostas diferentes, mas são algo que considero desafios fortes”, menciona em entrevista ao Jornal MINUANO.
A conversa, realizada no final da tarde de sexta-feira, foi mais um compromisso na extensa agenda da data. Após chegar à Rainha da Fronteira em meio à madrugada, havia acompanhado uma atividade do programa Líder, desenvolvido pelo Sebrae, em Pinheiro Machado. Depois de mais algumas reuniões, em Bagé, reservou um tempo para atender a reportagem e, logo em seguida, se dirigir à propriedade que mantém no município. “Hoje o campo quem cuida é meu filho. Eu não tenho tempo, só nos finais de semana”, conta.
Em tom franco, ele afirma que jamais imaginou alcançar os cargos que vêm ocupando. “Não esperava. E nunca pedi isso, até porque meu negócio não deixava”, argumenta. A afirmação, aliás, ocorre em meio a lembranças de quando, no início da década de 90, fora eleito da atual Associação e Sindicato Rural de Bagé. “Também não pedi, mas acabou acontecendo. E foi bom, conseguimos juntar a associação e o sindicato, atendendo a um desejo dos produtores naquela época”, frisa ao mencionar ter sido, aquele fato, o início da atuação em grupos de representação da classe. A história, segundo o próprio Pereira, teve sequência quando integrou o grupo que disputou a presidência da Farsul contra o eleito Sperotto. “Perdi, mas apoiei”, brinca ao frisar a unidade da categoria.
Após tal disputa, veio o convite. “Me chamou para assumir a Comissão de Reforma Agrária, que era a pior naquele período, bem na época das ocupações em massa. Penso que nos saímos bem, ao menos em Bagé esta reforma não veio, não deixamos”, recorda ao avaliar que a função, que o obrigava a ter convívio frequente com Sperotto, “pela necessidade”, resultou na criação de uma amizade. “Depois disso fui para a diretoria e, após, para a vice-presidência", conta ao lembrar que, então, se manteve na função até o final do ano passado. “Ele (Sperotto) não abria mão de mim, dizia que era para eu assumir. Eu sempre neguei, até porque ele era um grande líder”, reconhece.

Metas

Agora, diante do desafio de comandar duas gigantes, Pereira garante disposição para atender aos compromissos. “Estamos tratando de ajustar as coisas. Pelo que vi, o Sebrae, apesar de ter uma estrutura maior, tem um trabalho muito bem organizado, que torna as coisas, digamos, mais fáceis. A missão é importante, porque ajuda a criar empresas e mantê-las sustentáveis. É o berço do negócio, até porque lida com micro e pequenos empresários”, avalia ao salientar que percebe, nos contatos que já teve, um reconhecimento a este trabalho. “Participei, esta semana, da Expodireto. Lá, muitos me disseram que suas empresas cresceram e mudaram para melhor por terem passado pelo Sebrae”, completa.
Esse resultado positivo, já constatado, tem motivado o novo presidente a estimular bons frutos para a metade Sul. “Esse programa Líder, que já acompanho desde antes, é um exemplo do que podemos executar. É piloto no Brasil e está sendo desenvolvido aqui. Na reunião de hoje (sexta-feira) abordamos os eixos a serem trabalhados, que são o vinho, o leite, a carne (bovina e ovina) e o turismo. São projetos de longa maturação, mas que deverão garantir o desenvolvimento”, argumenta.
Outra meta defendida é ampliar o programa Juntos para Competir, desenvolvido entre Sebrae e Senar. “Hoje está centrado na propriedade rural, mas queremos ver como pode atingir toda a cadeia produtiva. Aliás, na quarta-feira estarei em Brasília, com o presidente nacional do Sebrae, defendendo que este projeto se torne permanente, como um programa não de governo, mas de Estado. É o objetivo mais ousado e de curto prazo que visualizo”, declara.
Por fim, questionado sobre como encara o cenário de abrangentes missões, conclui: “Essas coisas não me assustam!”.

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