ANO: 24 | Nº: 5959

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
10/03/2018 Airton Gusmão (Opinião)

O amor de Deus por toda a humanidade

Diante da realidade do sofrimento humano, da experiência da dor, injustiças e violências, podemos nos perguntar: Por que tudo isso acontece? Será que temos de sofrer? Por que tantos inocentes passam por esta experiência e, sobretudo, o que diz a fé cristã sobre tudo isso? Também é importante perguntar: Qual a nossa participação ou responsabilidade frente a esta realidade de dor e sofrimento? Como reagimos ou enfrentamos estes desafios que atingem, de uma maneira ou outra, a toda a humanidade?

No diálogo de Nicodemos e Jesus, o qual diz ser preciso que o Filho do Homem seja levantado para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna (Jo 3,14-21), podemos encontrar com segurança respostas, sentido e motivação para todos nós, diante das tantas perguntas que podemos fazer acerca do sofrimento humano.

Nesta conversa de alguém que procura respostas e sentido na pessoa de Jesus Cristo, surge esta afirmação decisiva para todos nós: “Deus amou tanto o mundo que deu seu Filho unigênito para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna, pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele”.

Precisamos acolher e nos deixar conduzir por esta verdade fundamental de nossa fé cristã e todas as suas consequências: Deus permitiu que seu Filho pudesse experimentar a morte de cruz para que todo ser humano seja salvo. Podemos dizer que a imagem do Cristo crucificado é a correção bíblica, quem sabe, de uma compreensão errônea ou distorcida que tenhamos sobre Deus, que está presente em muitas afirmações nossas: “Deus quis assim ou temos que sofrer”.

Jesus veio nos revelar a verdadeira imagem de Deus, que ama cada ser humano, e que por isso enviou o seu Filho para salvar a humanidade e não condená-la. Cabe a nós acolher esta realidade da nossa salvação, fazendo a nossa parte, dizendo o nosso sim a este amor crucificado, a esta graça, a este dom, através da nossa fé.

Acolhemos, deste mesmo diálogo, a palavra de discernimento e orientação: “A luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más”. Nossas ações podem revelar a aceitação ou recusa de Cristo. Agir conforme a verdade é também aceitar a cruz de Cristo que ilumina nossa vida, pois a cruz revela o amor do Pai que nos salva.

Acostumados a olhar para a cruz apenas como objeto de composição cultural do Cristianismo, nós tememos olhá-la como o rosto do Crucificado que ressuscitou, bem como tememos também olhar o Cristo crucificado nos sofrimentos daqueles que são crucificados hoje pelas doenças, incompreensões, injustiças, maldades e violências.

Como resposta a toda esta realidade, precisamos nos convencer que todos somos amados por Deus indistintamente e acreditar na força redentora da cruz de Cristo e, como cristãos e pessoas de boa vontade, termos um olhar de esperança e compromisso, trabalhando pela superação de qualquer violência, construindo a cultura da paz e da fraternidade, jamais esquecendo que somos todos irmãos.

Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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