ANO: 24 | Nº: 6038
12/03/2018 Cidade

Carnaval de rua leva milhares de volta à Sete de Setembro

Foto: Antônio Rocha

Palco recebeu gradis de proteção demarcando local do desfile
Palco recebeu gradis de proteção demarcando local do desfile

Das três escolas de samba previstas para descer a Avenida Sete de Setembro, apenas duas completaram o desfile. Mas nem isso arrefeceu a animação dos bajeenses, que voltaram à principal avenida da cidade para apreciar o Carnaval após 20 anos.
Ao longo da avenida, desde a esquina da Biblioteca Pública Dr. Otávio Santos, as ruas estavam organizadas e com grades instaladas, demarcando o local do desfile, onde o público se aglomerava para ver a passagem dos foliões e carros alegóricos. Mas o maior movimento estava localizado no largo da Praça Silveira Martins, onde foram montados os camarotes e as arquibancadas.
Por ali, a animação era evidente para o público, enquanto aguardava a descida dos foliões. A primeira entidade estava prevista para descer às 22h. Mas um contratempo atrasou a chegada da escola Deixa Acontecer, que acabou não desfilando. A organização do evento até abriu a possibilidade de que a entidade desfilasse encerrando a noite, mas sem caráter competitivo. Contudo, os membros da escola decidiram não se apresentar.

Volta à Avenida Sete
Enquanto isso, Maria Vitória Madruga da Rosa aguardava na arquibancada, em companhia de Alfredo Souza Peres. Ela conta que sempre desfilava nas entidades carnavalescas, mas nesse ano preferiu apenas assistir das arquibancadas. "Me convidaram para desfilar na ala das baianas, mas eu não gosto porque tem muita roupa, é muito pesado. Prefiro desfilar mais pelada", destacou aos risos.
Já Peres prefere participar do Carnaval apenas como expectador. Ele conta que, neste ano, teve uma agradável surpresa. "Que bom que voltou para a Avenida Sete. Aqui ficou muito bem organizado, com muita segurança. Nunca tinha visto um Carnaval com uma estrutura assim", aponta.
Eva Cleusa de Oliveira Goulart também aprovou a mudança. "Achei excelente a mudança, ficou muito mais aberto e iluminado, mais confortável e com segurança. Na Caetano Gonçalves eu fui uma vez só e depois desisti porque dava briga e eu ia com criança. Tomara que siga sendo realizado aqui", torce.

Reforço da Capital da Paz
Entre as centenas de foliões e espectadores que lotavam a avenida do samba, uma turma de cerca de 50 pessoas chamavam a atenção. Com camisetas coloridas do Grupo União Pedritense, estampando o ponto mais conhecido da cidade vizinha, a caixa d'água, os carnavalescos de Dom Pedrito aproveitaram a folia fora de época em Bagé para estender mais um pouco a festa.
Isa Santos, presidente da entidade Vagalumes do Luar, explica que a participação em Bagé foi a convite dos integrantes da Estrela D'Alva, que esquentaram os tambores no desfile da vizinha, no início deste mês. "Como eles participaram da nossa festa, viemos prestigiar a deles. E trouxemos a nossa rainha, Luanna Marques Silveira, para desfilar", comenta.
A viagem foi coordenada pelo guia de turismo Michel Vargas, também folião pedritense. "Além de organizar a excursão, aproveitei para prestigiar o Carnaval. E, pelo que vi, Bagé está de parabéns, com uma bela estrutura", aponta.

Noite marcada por homenagens e contratempos
Com a ausência da primeira escola, a primeira entidade a descer estava fora de competição, mas levantou o astral do público. A Confraria Borbulhas do Pampa abriu a noite de desfiles com muita animação.
Quem não fazia parte do desfile competitivo, mas esteve tão presente na avenida quanto os foliões, foi a equipe de limpeza e manutenção da Prefeitura de Bagé, que se espalhava pelas quadras da avenida, garantindo que o caminho estivesse liberado e pronto para receber as próximas alegorias e foliões. A cada entidade que descia, eles encerravam o desfile com vassouras e lixeiras, limpando e abrindo caminho para a próxima escola competidora.
Após a passagem da confraria, a primeira escola a descer foi a estreante Grêmio Recreativo e Cultural Império da Zona Leste. Com o tema "Divaldo Lara - O menino do Morro da Cebola", que trouxe à avenida a infância e juventude do atual prefeito de Bagé. Além da comissão de frente, que contou com sete pessoas envolvidas e o porta-estandarte, a escola trouxe mais oito alas. O carro abre-alas apresentou pontos marcantes do bairro Castro Alves, como a caixa d'água e a subida da rua de acesso principal, além do campinho onde Divaldo batia bola com os amigos quando pequenos.
Outro destaque da escola foi a participação de integrantes da escola Beija-Flor de Nilópolis, do Rio de Janeiro. Vindo direto da Sapucaí, o intérprete Nego Lindo ajudou a puxar o samba-enredo da Império, enquanto a passista Angélica Pepeka encantou com a simpatia, samba no pé e beleza.
A escola também foi reforçada pela participação do carnavalesco Zé Cartola, uma das principais figuras do Carnaval da capital gaúcha, e do casal de mestre-sala e porta-bandeira Alison Prado e Tarine Machado, destaques da escola de samba Praiana, de Porto Alegre.
Em uma das alas, Lara veio a pé, sambando junto a familiares e amigos. Segundo o presidente da entidade, Émerson do Cavaco, mais de 200 pessoas participaram do desfile.
Em seguida, foi a vez das diversas formas de manifestação cultural tomar a avenida Sete de Setembro, com a homenagem a um dos principais expoentes da vida cultural bajeense, Maria Luísa Teixeira da Luz, a Marilu. Foi ela a figura principal da Unidos da Estrela D'Alva, que busca o tricampeonato.
A comissão de frente já deu mostra do que viria a seguir com o tema "Marilu - Astro de Luz", com artistas performáticos e cortinas de teatro, remetendo à vida cultural da atriz e professora de Artes da Urcamp, na época do Cenarte. O envolvimento com a Sétima Arte também foi lembrado na primeira alegoria, que trazia os destaques da escola.
A homenageada veio no segundo carro, despontando junto a amigos que faziam frente ao carro alegórico, sambando e entoando o samba-enredo, todos vestidos com as cores da entidade: azul e branco. O filho da homenageada, o cineasta Zeca Brito, e o companheiro, Sapiran Brito, foram os responsáveis pela letra do samba-enredo da noite.

De Porto Alegre: Restinga
Quem encerrou a noite foi a minibateria da escola de samba Estado Maior da Restinga. Além do mestre-sala, porta-bandeira e destaques da entidade, a escola trouxe uma pequena parte da bateria que encanta o Carnaval da capital, junto com a madrinha de bateria.
A verde, vermelho e branco trouxe sambas-enredos icônicos da cultura carnavalesca, além de animar o público que resistiu até as 3h de domingo com muita música brasileira dançante, como Tim Maia.

Avaliação positiva
"Bagé merecia esse Carnaval novamente, após tanto tempo parado. Foi um bonito espetáculo para a população". Assim definiu a primeira noite de desfiles o presidente da Associação Cultural de Escolas de Samba de Bagé (Acesb), Neimar Rodrigues. Ele avaliou, ainda, como positivo o retorno dos desfiles para a avenida Sete de Setembro. "Trouxe um público maior, que não assistiam os desfiles no sambódromo da Caetano Gonçalves. A estrutura também foi muito boa e o policiamento ajudou a manter o evento tranquilo e seguro", apontou.
O resultado da competição será revelado hoje, às 11h, na Secretaria de Cultura e Turismo de Bagé.

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