ANO: 25 | Nº: 6380

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
14/03/2018 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Política com P maiúsculo

Em recente pesquisa realizada pelo Instituto Ibope e publicada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) esta semana, ficou demonstrado que 44% dos eleitores brasileiros estão pessimistas com as eleições presidenciais que se avizinham e 55% não acreditam em propostas de campanha. Os dados, por si, demonstram que há uma profunda desconfiança da população com a prática dos políticos brasileiros.

Existem muitas razões para este desencanto, desde as mais simples de entender, que são as próprias trajetórias e práticas tradicionais dos políticos brasileiros, até outras, mais difíceis de perceber, como a longa e sistemática campanha de grandes meios de comunicação, que insistem em generalizar a avaliação dos políticos, todos colocados no fosso comum da corrupção e da falta de compromissos com os eleitores.

Essa é uma situação sobre a qual todos as pessoas deveriam refletir. A atividade política, assim como todas as atividades, reúne pessoas bem e mal intencionadas. Não é verdade, também, que a maior parte dos corruptos na sociedade está na política. Existe corrupção em todas as esferas sociais, dentro e fora das instituições do Estado. A corrupção é uma forma de estabelecer relações com o bem comum, o dinheiro e as propriedades públicas, e isso pode acontecer, como acontece, tanto dentro do aparato do Estado, quanto fora dele.

Também não é verdade tudo o que dizem sobre os políticos. Vejam o caso de Lula, por exemplo, que está sofrendo há algum tempo uma perseguição implacável de setores do Ministério Público e do Judiciário, com o apoio de uma parcela da população indignada com as conquistas sociais alcançadas em seu governo.

Há tantas mentiras sobre Lula e sua família distribuídas na internet que, parece, não é mais preciso ter provas sobre as acusações contra ele. Até agora, o que se viu foi um processo baseado em convicções dos juízes e dos acusadores que, na análise de vários juristas nacionais e internacionais, caracterizam um Lawfare, que é o uso da lei como arma em uma batalha, no caso a “batalha” das ideias e da ideologias no Brasil.

Se Lula será condenado ou não, ainda é uma disputa em curso. O que interessa é que sua condenação, além de ser uma injustiça, poderá acarretar a perda ainda maior da legitimidade do processo eleitoral, já que a tentativa será retirá-lo do processo de escolha, excluindo das alternativas disponíveis aos brasileiros um candidato que tem, até agora, cerca de 35% das intenções de voto, situando-se na frente em todas as sondagens.

É por isso que dizemos que uma eleição sem Lula será um novo golpe no Brasil. Será uma forma enviesada de restringir as possibilidades de escolha do povo, que já sabe, passados quase dois anos da derrubada da presidenta Dilma, que o golpe não foi contra a corrupção, mas contra o projeto de igualdade e democracia representado por Lula e pelo PT.

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