ANO: 25 | Nº: 6312

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
15/03/2018 João L. Roschildt (Opinião)

Eles

Em julho do ano passado, Ricardo Vélez-Rodríguez declarou: “Eles falam muito em pensamento crítico, mas são especialistas em impedir as pessoas de pensar criticamente. A primeira coisa que tentam fazer é silenciar aqueles que pensam diferente”. Mas quem são eles?

A afirmação do professor de filosofia estava dentro do contexto de uma reportagem da Gazeta do Povo, que mostrava a desproporção absurda da relação entre autores (e obras) considerados de esquerda e de direita nas bibliotecas das cinco melhores universidades públicas do país. De forma resumida, a cada 4,2 livros de esquerda (progressistas), tem-se 1 livro de direita (conservador ou liberal, no sentido clássico). Esses dados contribuem para compreender como a esquerda tomou de assalto a cultura e a forma de pensar do mundo universitário. Mas como será que os progressistas buscam silenciar seus opositores?

No dia 07/03/2018, foi noticiado que a Universidade Federal de Lavras (UFLA), de Minas Gerais, poderia expulsar os calouros que não comparecessem às atividades de recepção (marcadas para o dia 14/03/2018). Tal medida estava embasada em um documento da própria instituição: na Resolução CEPE nº42/2007, art. 49, § 1º. Em um dos dias, de presença obrigatória, o novo estudante teria à disposição as seguintes oficinas: “Controle social e garantia de direitos”; “Gênero e sexualidade”; “A política de cotas na universidade brasileira”; “Gênero e trabalho”; “Questões de gênero”; “Mulheres fazem e contam a história: saberes, ciência e movimentos sociais”; e “História das lutas do movimento LGBT”. De acordo com a programação oficial, o aluno deveria (necessariamente) escolher alguma dessas oficinas. E quem não concordasse com essas pautas extremamente importantes para os “guerreiros da justiça social” (progressistas/esquerdistas) teria outras opções? Não. Mas e a diversidade de ideias? Às favas...

A UFLA emitiu uma “Nota de esclarecimento” afirmando que os temas “são tratados de maneira isenta e técnica”; disseram que, de forma equivocada, alguns estariam classificando os temas “como se fossem posicionamentos de esquerda radical”; também declararam respeitar todas as opções políticas, sendo apartidários. Qual trecho é mais cínico e digno de piada? Mas o calouro não tem inúmeras opções de oficinas? Claro! Todas inseridas em uma única opção ideológica.

A Associação Escola Sem Partido ingressou com uma Ação Civil Pública contra a UFLA. O aspecto central de suas alegações foi de que haveria uma ofensa à liberdade de consciência dos calouros ao obrigá-los a frequentar oficinas com possível inclinação política-ideológica. O juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho determinou que a UFLA não expulse os alunos que se recusarem, por razões filosóficas ou religiosas, a participar das referidas atividades. Por fim, a universidade disse que não questionará a decisão.

Por mais que a sentença judicial represente um avanço contra os totalitários travestidos de democratas, acatar a decisão não significa que será extinta a flagrante doutrinação acadêmica no Brasil. Existem meios relativamente silenciosos e sutis para que isso continue ocorrendo. Lembro que para Herbert Marcuse, expoente teórico do progressismo, a verdadeira tolerância significa intolerância para com os opositores da esquerda. “Eles” nunca cessarão.

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