ANO: 25 | Nº: 6279

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
17/03/2018 Airton Gusmão (Opinião)

A amizade com Jesus e o amor fraterno

Nesta caminhada quaresmal, já no quinto domingo deste tempo litúrgico, rumo à Páscoa do Senhor, temos a experiência de alguns gregos que estavam indo a Jerusalém para adorar a Deus, os quais dizem a Filipe: “Senhor, gostaríamos de ver Jesus”. Biblicamente, conhecer quer dizer da experiência do coração, interiorizar e viver os valores do Reino. Segue-se a cena onde Filipe e André favorecem este encontro com Jesus, o qual diz: “Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo; mas se morre, então produz muito fruto” (Jo 12,20-33).
É preciso, neste tempo de vazios de sentido e valores, de grandes ofertas de superficialidades, de relativismos, de ausência de referências sólidas, de banalização da vida humana; que cultivemos e desejemos experimentar o encontro com Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida.
No fundo, a humanidade busca algo mais, por diferentes caminhos, procura respostas, sentido e valores para a sua existência. Aqui podemos trazer um exemplo, entre tantos, desta sede e fome fundamental da pessoa humana: “Tarde te amei, ´beleza tão antiga e tão nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora. Estavas comigo, mas eu não estava contigo. Tu me chamaste e teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste, e tua luz afugentou a minha cegueira. Eu te saboreei e agora tenho fome e sede de ti” (Confissões, Santo Agostinho).
Como Filipe e André, e aqui a importância da comunidade eclesial, favoreceram o encontro destes gregos que queriam ver Jesus; podemos também dizer que somos responsáveis em criar condições para estes encontros, para estas buscas de saciedade de Deus e dos valores do seu Reino. Se fizemos ou estamos fazendo esta experiência de nos deixar encontrar por Jesus Cristo, na orientação da Conferência de Aparecida, temos que viver e testemunhar o discipulado missionário.
É importante lembrar aqui aquilo que o Papa Francisco diz sobre o encontro pessoal com o amor de Jesus que nos salva: “Às vezes perdemos o entusiasmo pela missão, porque esquecemos que o Evangelho dá respostas às necessidades mais profundas das pessoas, porque todos nós fomos criados para aquilo que o Evangelho nos propõe: a amizade com Jesus e o amor fraterno. Temos à disposição um tesouro de vida e de amor que não pode enganar, a mensagem que não pode manipular, nem desiludir. É uma resposta que desce ao mais fundo do ser humano e pode sustentá-lo e elevá-lo” (Alegria do Evangelho, nº 265).
Podemos nos perguntar: tenho desejo de ver Jesus? O que faço por buscá-lo? A quem peço ajuda para vê-lo? Como lido com os preconceitos de achar que somente algumas pessoas adoram a Deus e buscam conhecer Jesus? Tenho sido instrumento ou facilitador para que outras pessoas façam a experiência de encontrar ou se deixar encontrar por Jesus? Deixemo-nos atrair pela força redentora da cruz de Cristo.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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