ANO: 25 | Nº: 6210

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
17/03/2018 José Artur Maruri (Opinião)

Dai a César o que é de César

Eventualmente, somos obrigados a nos deparar com a violação de direitos, com o rebaixamento do ser humano a condições degradantes ou com o desmerecimento da queixa do cidadão.
Isso porque outros seres humanos, detentores do poder e, por isso, de destaque na sociedade, resolvem colocar interesses burocráticos em primeiro lugar.
Claro, não se pode deixar de lado que a burocracia vem ao lado de um arcabouço legal, porém, também não se pode olvidar que a burocracia apenas beneficia aqueles que se encontram ao lado dela. Por outro lado, quando isso ocorre, nos vem a mente aqueles dias em que o Cristo esteve conosco. Na oportunidade lhe foi perguntado: “É lícito dar tributo a César ou não?”

“Porém Jesus, conhecendo a sua malícia, disse-lhes: Por que me tentais, hipócritas? Mostrai-me cá a moeda do censo. E eles lhes apresentaram um dinheiro. E Jesus lhes disse: De quem é esta imagem e inscrição? Responderam-lhe eles: De César. Então lhes disse Jesus: Pois dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.
A questão que Jesus propôs era motivada pelo fato de os judeus terem transformado em motivo de horror pagar o tributo exigido pelos romanos, os poderosos da época de Jesus.

Atualmente, não existe tanta diferença, porque quando se sobressai o formalismo, a burocracia, rebaixa-se a pessoa, a queixa, a necessidade de alguém, ainda assim, o caminho apontado pelo Meigo Nazareno ainda é o mesmo, quando diz: “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.
Allan Kardec leciona que a máxima supratranscrita “não deve ser entendida de maneira restritiva e absoluta. Como todos os ensinamentos de Jesus, é um princípio geral, resumido numa forma prática e usual, e deduzido de uma circunstância particular. Esse princípio é uma consequência daquele que manda agir com os outros como quereríamos que os outros agissem conosco”.
E se fôssemos nós que estivéssemos com os nossos direitos sendo violados todos os dias e nos víssemos sonegados, pelo poder da caneta, a uma espera inglória?
Na máxima “dai a Cesar o que é de César”, segundo Allan Kardec, podemos extrair que a moral cristã condena todo prejuízo moral e material causado aos outros, toda violação dos seus interesses, e prescreve o respeito aos direitos de cada um, como cada um deseja ver os seus respeitados. Estende-se ao cumprimento dos deveres contraídos para com a família, a sociedade, a autoridade, bem como para os indivíduos.
Que enquanto detentores dos poderes outorgados pelos homens, possamos respeitar os direitos das pessoas, dos cidadãos, como gostaríamos que os nossos direitos fossem respeitados, obrigando-nos, todos, uns com os outros, como uma família que une todos os indivíduos num só.
Que ao invés de criarmos obstáculos, barreiras, construamos pontes para um entendimento mútuo. No entanto, enquanto isso não for possível, não percamos de vista a moral do Cristo Jesus: - Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

 

(Referências: Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 11. Itens 5, 6 e 7. FEB Editora)

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...