ANO: 23 | Nº: 5915
19/03/2018 Editorial

Um debate que precisa ser ampliado

A Câmara dos Deputados inicia, amanhã, através de uma comissão específica, a discussão sobre a lei que pode viabilizar a privatização das empresas que integram o grupo Eletrobras. A medida inclui a Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), com sede em Candiota. Com o avanço da pauta, o debate também deve ganhar espaço na Campanha gaúcha, especialmente pelo impacto que será causado pelo processo na região. No Congresso, a questão parece relegada ao segundo plano, sem o protagonismo que deveria ter.
A comissão que trata sobre as privatizações já recebeu requerimentos para promover audiências públicas visando a análise de circunstâncias sociais e econômicas de unidades de geração. O curioso é que nenhum pedido diz respeito especificamente à CGTEE. A relevância das usinas de Candiota, responsáveis por uma cadeia complexa, que inclui a geração de emprego em ouros setores, a exemplo da mineração, merece atenção maior do colegiado. Talvez caiba às lideranças locais assumir a função de ampliar a visão de quem tem poder para decidir, sem aguardar convites para sentar à mesa das discussões.
Na primeira tentativa de viabilizar a privatização, através de uma Medida Provisória, representações sindicais e lideranças políticas reagiram rápido, conseguindo adiar a tramitação judicialmente. Ocorre que Planalto não parece disposto a ceder em qualquer ponto do projeto de desestatização, mas também não se esforça para ser transparente. Falta informação sobre a manutenção dos empregos, por exemplo. Também não está muito claro o que governo espera para o futuro das unidades que atuam na geração térmica a carvão. Neste cenário, qualquer decisão adotada sem a consideração das posições locais, pode perfeitamente ser questionada, em termos de legitimidade.

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