ANO: 25 | Nº: 6278
20/03/2018 Fogo cruzado

Polarização marca passagem da caravana de Lula por Bagé

Foto: Antônio Rocha

Ex-presidente discursou em trio elétrico, no portão de acesso à Unipampa
Ex-presidente discursou em trio elétrico, no portão de acesso à Unipampa

A caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Sul do Brasil iniciou com protestos, ontem, em Bagé. A agenda que atraiu os olhares da imprensa nacional foi marcada pela polarização, com manifestações favoráveis, de movimentos sociais, e contrárias, de representações de classe. Ao lado da ex-presidente Dilma Rousseff, Lula visitou o campus da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), durante a manhã. Ele não atendeu a imprensa. Apenas fez um rápido discurso.
Disposta em três ônibus, identificados por adesivos, a comitiva composta por lideranças do PT chegou ao campus, no bairro Malafaia, por volta das 11h. Com uma escolta especial, a caravana chegou ao prédio por uma via secundária. O itinerário impediu a passagem pela mobilização contrária à presença do ex-presidente, organizada por associações de classe. Lula foi recebido pela pró-reitora de Extensão, Nádia Bucco. O reitor Marco Antônio Fontoura Hansen cumpria agenda em Minas Gerais.


Comitiva
A caravana reuniu lideranças nacionais do PT, a exemplo de Dilma e da presidente do partido, Gleisi Hoffmann. Os ex-governadores Olívio Dutra e Tarso Genro também participaram. A deputada federal Maria do Rosário, o líder do governo na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta, o pré-candidato ao Palácio Piratini, Miguel Rossetto, o deputado estadual Luiz Fernando Mainardi e o presidente estadual do partido, deputado Pepe Vargas, dividiram o trio elétrico com o ex-presidente, mas não discursaram. Lideranças locais da legenda também acompanharam a comitiva, a exemplo do prefeito de Candiota, Adriano Castro dos Santos, e do líder do PT na Câmara de Bagé, vereador Lélio Lopes (Leinho).


Orgulho
Apenas Dilma e Lula discursaram ao final da visita, no portão de acesso ao campus da universidade. A ex-presidente falou primeiro, destacando o papel da Unipampa, criada em 2005. “Tenho muito orgulho de estar em Bagé. Aqui, o presidente Lula criou uma universidade, que foi a Unipampa. Com essa universidade, ele deu oportunidade para mais de 11 mil gaúchos espalhados por esta fronteira, por esse pampa, que não tinham acesso ao Ensino Superior”, pontuou.
Dilma também destacou medidas adotadas pelas gestões petistas para estimular o setor primário. “Nós fomos o governo que mais recursos deu para os produtores rurais neste país. Foi dinheiro para custeio, subsidiado, além de dinheiro para investimento. Também beneficiamos o pequeno agricultor familiar e o assentado da reforma agrária. Não houve, ninguém, nesse país, quem tivesse tanto compromisso com o setor da agricultura quanto o presidente Lula. Por isso começamos a caminhada no Rio Grande do Sul por aqui”, reforçou.


Mudança de rota
Lula revelou que a Rainha da Fronteira não integrava o itinerário original da caravana, que deveria começar na fronteira com o Uruguai. “A caravana não estava prevista para passar por Bagé. Iria começar com uma conversa com Pepe Mujica, em Santana do Livramento, para falar sobre a América Latina e o papel do Brasil. Entretanto, eu disse ao coordenador da caravana, que não tinha como o avião parar em Bagé e eu não visitar a universidade dos pampas, que criamos em 2005. Não esqueço aquela data, dia 27 de julho de 2005, quando reunimos mais de 40 mil pessoas na rua”, recordou.


Discurso rápido
Durante visita à Unipampa, que durou cerca de uma hora, Lula conheceu um dos laboratórios da instituição. Não houve coletiva de imprensa. Antes de seguir para Santana do Livramento, onde encontrou o ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica, o petista discursou rapidamente, em um trio elétrico, por volta do meio-dia, defendendo investimentos na educação, com foco na mudança do perfil econômico do país. “O Brasil não quer ser eternamente exportador de soja. Quer ser exportador de inteligência e de conhecimento. E é por isso que fiz questão de vir aqui”, provocou.


Tom elevado
Diante das manifestações contrárias à sua visita, Lula não perdeu oportunidade para alfinetar seus opositores. “A direita fascista deveria ter vindo protestar quando criei a Unipampa, porque a elite nunca quis que o pobre tivesse acesso à universidade”, disse, ao reforçar que ‘quem hoje grita contra, amanhã vai bater palma, porque nós vamos consertar esse país outra vez’.
Ainda em uma espécie de resposta, Lula afirmou que as mobilizações que encontrou em Bagé representam um estímulo. "Se tem alguém que não gosta de mim aqui, vai me estimular a voltar muitas vezes”, garantiu. “Se existe alguém que aprendeu a respeitar os outros fomos nós do PT. Toda vez que perdemos uma eleição, soubemos aceitar o resultado", pontuou.
Lula elevou ainda mais o tom ao final do discurso. “Saio triste daqui, porque não vi empresário ofendendo a gente. O que vi aqui foi trabalhadores que, às vezes, estão até desempregados, ganhando alguma coisa para ofender a gente”, disparou. “Nós estamos querendo a democracia. A democracia pressupõe eleição. A eleição pressupõe todo mundo ser candidato, e que vença o melhor. Se estão preocupados em não me deixar ser candidato, que arquem com a responsabilidade”, alfinetou.


Recursos
A caravana do ex-presidente, iniciada no ano passado, passou por estados do Nordeste, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, antes de chegar à região Sul. Do ponto de vista político, o ato é encarado como uma forma de mensurar o resultado das políticas públicas desenvolvidas pelos governos petistas.
No Sul, a caravana inclui Bagé, Santana do Livramento, Santa Maria, São Borja, São Miguel das Missões, Cruz Alta, Palmeira das Missões, Ronda Alta, Passo Fundo e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul; Florianópolis, Chapecó, Nova Erechim e São Miguel do Oeste, em Santa Catarina; Francisco Beltrão, Quedas do Iguaçu, Foz do Iguaçu, Laranjeira do Sul e Curitiba, no Paraná.
O PT criou um site específico para arrecadar doações. Através da página, que estava fora do ar na tarde de ontem, é possível doar valores que variam de R$ 25 a R$ 2 mil, de acordo com limitações determinadas pela legislação eleitoral, que consta em destaque. O portal contabilizava, pela manhã, 211 doações, sem especificar o volume arrecadado.


Batalha judicial

Lula lidera as pesquisas de intenção de votos para as eleições de outubro. O petista, porém, recorre de uma condenação, em segunda instância, a doze anos e um mês de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, e pode ser preso durante a caravana, que encerra no dia 28. Ocorre que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) pode se pronunciar sobre os últimos recursos neste período.

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