ANO: 25 | Nº: 6404

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
21/03/2018 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Lula e a democracia

A democracia, apesar de suas deficiências, é, ainda, o melhor regime político sob o qual podemos viver. Em uma democracia, os posicionamentos políticos e ideológicos se manifestam e dialogam no âmbito da esfera pública, de forma que sempre se pode construir pontos de acordo e contato. Para isso, entretanto, é preciso que as forças políticas reconheçam a legitimidade do outro protagonista.
 
Como se sabe, não foi o que aconteceu aqui em Bagé, durante a visita do ex-presidente Lula. Uma pequena parcela da sociedade, posicionada à direita do espectro político, resolveu impedir a presença de Lula na cidade. Além de ser uma decisão antidemocrática, trata-se de uma conduta mal-agradecida. 
 
Lula, como sintetizamos em um jornal distribuído por mim em toda a cidade nos dias que antecederam a visita, foi o presidente que mais apoiou Bagé. Mais, muito mais do que o Médici, que era um cidadão bajeense. 
 
Lula apoiou Bagé com dezenas de obras e ações em nossa cidade, mas sem dúvida sua principal obra foi a criação da Unipampa, uma universidade federal pública que colocou nossa cidade no mapa da educação brasileira. E fez isso, ajudando, também, a Urcamp a se reerguer. Isso para dar apenas um exemplo, que é, também, o mais simbólico. 
 
Incompreensível, portanto, a conduta antidemocrática desse setor social minoritário que, hoje, é representado pelo prefeito da cidade. 
 
Felizmente, perderam os que queriam impedir Lula. Ele não apenas entrou na cidade, como pôde, com o apoio do povo, visitar a Unipampa. Perderam, também, porque ganharam visibilidade com uma ação típica de grupos que não têm compromisso com a democracia.
 
Hoje, Bagé ficou conhecida como uma cidade que possui uma direita intransigente, mas isso só reforça a vontade de continuarmos a luta em defesa da democracia e do direito de todos se manifestarem com liberdade, sem agressões. 
 
Da mesma forma, a cidade sai deste episódio com uma clareza maior sobre quais interesses estão em jogo quando se trata da perseguição a Lula. De um lado, contra Lula, as elites, que não estavam acostumadas a ver pobre entrar na universidade e nem gostam de programas sociais. De outro, a imensa maioria do povo: trabalhadores, jovens, agricultores assentados, defensores da democracia e da liberdade. 
 
Pude perceber que o povo da cidade, no centro e na periferia, sabe o que Lula representou para nosso desenvolvimento e sabe – sabe muito bem – quais interesses representam os que, dirigidos pelo prefeito, fizeram arruaça durante a visita do ex-presidente. 
 
Não era um ato contra a corrupção. Em breve, mais rápido, talvez, do que se possa imaginar, Bagé saberá quem é o verdadeiro corrupto. 

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