ANO: 26 | Nº: 6590
22/03/2018 Fogo cruzado

Pré-candidato do Novo defende "redução do tamanho do Estado"

Foto: Antônio Rocha

Ostermann e Bandeira cumpriram agenda em Bagé, ontem
Ostermann e Bandeira cumpriram agenda em Bagé, ontem

O Partido Novo deve disputar o Palácio Piratini pela primeira vez, em outubro, com um objetivo bem definido. “O desafio, nesta primeira participação em eleições gerais, é a consolidação como alternativa de mudança. A intenção é eleger governadores e bancadas expressivas, que possam levar adiante, a partir de 2019, as nossas bandeiras, que são as mais liberais e sociais do Brasil”, afirma o pré-candidato ao governo gaúcho, Mateus Bandeira. As propostas para o Rio Grande do Sul envolvem debates sobre a situação fiscal e o tamanho do Estado (no sentido da máquina pública).
Para Bandeira, o foco do próximo governador deve se voltar ao equilíbrio da questão fiscal. “É uma ação imperiosa. Sem fazer isso, não tem como discutir nenhuma outra iniciativa, nem mesmo outra agenda que defendemos, que é a desburocratização”, avalia, ao salientar que o Novo defende as privatizações e a redução do número de secretarias. “É preciso cuidar para que o Estado possa voltar a prestar um bom serviço nas áreas essenciais, como a segurança pública, por exemplo”, pontua.


Cerco à burocracia
A desburocratização é uma das bandeiras do Novo. O pré-candidato do partido acredita que é preciso ‘tirar o Estado da frente de quem quer empreender’. “Estamos perdendo investimentos para outros estados. Temos demanda para investimentos em energia eólica, por exemplo, que não acontece porque depende de licenças que levam dois ou três anos. Temos a possibilidade de usar a tecnologia para simplificar processos e até para eliminar muitos processos”, defende.


Novo foco
Bandeira defende a ideia de que todas as companhias hoje administradas pelo Piratini devem sair do controle estatal. “O Estado não nasceu para ser empresário. É um péssimo gestor. Não há dúvida quanto a isso. Não há quem possa dizer que o Estado é um bom gestor (de empresas). A saída não é necessariamente a privatização. Usamos o termo de forma genérica. Não necessariamente devemos usar o mesmo modelo. De modo geral, defendemos a privatização como princípio para todas as estatais. Não se justifica o controle estatal de nenhuma delas”, observa.
Para Bandeira, a lógica também se aplica ao Banrisul, empresa que comandou durante o governo de Yeda Crusius, do PSDB. “Logicamente, não precisa ser a primeira empresa da fila. Se conseguir organizar a governança, certamente ele vai valer mais”, opina. “Se o governo não tivesse um banco, e o governador quisesse criar um banco, iriam dizer que está louco. Ninguém, em sã consciência, iria defender a criação de um banco para competir com as empresas privadas. O banco dá lucro, mas o retorno que ele dá sobre o capital que está empregado é menor que o custo da nossa dívida”, justifica.


Pré-candidatura
Bandeira tem 48 anos. É formado em Informática pela Universidade Católica de Pelotas (UCPel). Ele tem especialização em Finanças pela Fundação Getúlio Vargas e em Gestão pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A exemplo do Novo, Bandeira deve disputar sua primeira eleição em 2018, salientando que o contexto favorece a participação no processo. “Disputo porque este é o pior momento do Brasil e do Estado. Não existe mais autoridade no País. As pessoas matam à luz do dia. As corporações não têm mais vergonha de defender seus privilégios e ainda acham que estão no seu direito. Portanto, talvez seja a melhor janela de oportunidade para aproveitar o sentimento de insatisfação das pessoas. É a melhor hora para propor a mudança”, acredita.


Renovação
Bandeira cumpriu agenda em Bagé, ontem, ao lado de Fábio Ostermann, liderança do Livres, que é pré-candidato pelo Novo à Assembleia Legislativa. As agendas pelo interior servem para divulgar as posições do partido, que tem uma lógica específica para definir candidaturas, envolvendo um processo seletivo. O Novo questiona o foro privilegiado e o modelo de federalismo nacional, defendendo um sistema de redistribuição de receitas que contemplaria as cidades. “Os grandes partidos são presididos por pessoas envolvidas com corrupção. Não há como nenhum representante destes partidos propor renovação. Todos estão amarrados nos vícios da velha política”, critica.
O Novo não utiliza recursos do Fundo Partidário. A executiva nacional, inclusive, consultou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a possibilidade de devolver os recursos repassados pela União, indicando áreas para investimentos preferenciais (saúde, educação e segurança). Ocorre que, em uma eventual devolução, os valores seriam redistribuídos entre os outros partidos. O Novo também não pode doar as receitas. “É uma discussão que tem que ser feita. Eu defendo que a gente gaste o dinheiro para fazer campanha contra o fundo, para a extinção do fundo”, opina Bandeira.
Ostermann salienta que a relação do Livres com o Novo se deu por conta de afinidades ideológicas. “O Livres era a corrente interna de renovação do PSL. Com a chegada do Bolsonaro ao partido, optamos por seguir um caminho suprapartidário, mas no Rio Grande do Sul, aderimos ao Novo, por acreditar que é a melhor plataforma para defesa das nossas ideias, daquilo que nos trouxe à política. É o momento de caminharmos juntos para construir uma alternativa de verdade. Tínhamos um projeto ambicioso de reconstruir um partido, só que a velha política nos derrubou. As velhas estruturas nos passaram a perna. Eles queriam renovar, mas não tanto”, desabafa.

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