ANO: 25 | Nº: 6330
23/03/2018 Segurança

Réu é condenado por homicídio no Parque de Diversões

Foto: Rochele Barbosa/Especial JM

Samuel Alvarenga Sarabia, 23 anos
Samuel Alvarenga Sarabia, 23 anos

Samuel Alvarenga Sarabia, de 23 anos, foi condenado, na manhã de ontem, pelo júri popular a 16 anos, em regime inicial fechado, pela morte de Cristian Cogoy, na noite do dia 11 de setembro de 2016, por volta das 21h, em um parque de diversões itinerante que estava instalado na avenida Santa Tecla.

O  fato, na época, ficou conhecido como o homicídio do Parque. De acordo com a sentença de pronúncia, o réu, mediante disparo de arma de fogo, com um revólver calibre 44, apontou para a cabeça, pelas costas da vítima, que estava em frente a sua filha, que na época tinha três anos e meio, e sua esposa e, após atirar, tentou fugir, sendo preso em flagrante por um policial do 28º Batalhão de Polícia Montada do município de Charqueadas, que estava no local. 

Ainda, conforme a sentença, o crime foi praticado por motivo torpe, "uma vez que decorrente de desavenças relacionadas ao tráfico de drogas e seus consectários comerciais, em extremo desvalor da vida humana. O crime resultou perigo comum, porquanto cometido em um Parque de Diversões, em pleno funcionamento, em horário nobre, local em que havia uma grande quantidade de pessoas, as quais poderiam ter sido atingidas".

Testemunhas

A acusação arrolou três testemunhas para argumentar o crime como execução. A primeira a ser ouvida foi o policial militar que efetuou a prisão no momento do fato. De acordo com o agente, que no dia estava passeando em Bagé, com sua família, quando ouviu o barulho do disparo, perseguiu o acusado e o colocou em uma sala da bilheteria, devido a grande comoção da comunidade que estava no local. “Os seguranças sabiam que eu era PM, mas as pessoas não. Ele tentou sair, mas como todo mundo ficou apavorado com o barulho de tiro, ele não conseguiu fugir. Ele chegou a falar comigo, não lembro o que, chamei a guarnição pelo 190 e fiquei com ele detido na bilheteria, pois tentaram agredi-lo. Após, o entreguei para os meus colegas e fomos na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), onde ele foi preso em flagrante”, explicou.

Outro policial militar, também ouvido pelo tribunal do júri, contou que estava de serviço e foi até o local após a emergência avisar sobre o fato. “Chegamos ao local e o colega de Charqueadas estava com o acusado preso. Levamos ele rapidamente para a viatura. A esposa da vítima, eu acho que era companheira do homem que estava morto, ficou nervosa e até bateu no vidro da viatura e falava que ele tinha matado um pai de família, que ele era um bandido. Os ânimos estavam muito exaltados”, completou. Ele também contou que o réu disse que tinha uma “rixa” muito forte com a vítima e que “seria a vida dele ou a do Cristian”, acrescentou o PM.

A terceira testemunha foi a esposa de Cristian. Ela contou que estava junto no momento do crime. “Eu estava ao lado do meu marido, na fila para um brinquedo, e minha filha estava a um metro na nossa frente. Só vi de relance e escutei um barulho. E então ele caiu. Eu fui tentar socorrer, mas não tinha o que fazer, pedi para uma conhecida pegar minha filha e sai correndo em direção ao autor do tiro”, contou. A mulher disse que estava muito descontrolada e lembrava de ter batido na viatura, falando que ele tinha matado um pai de família. “Meu marido já havia sido avisado duas vezes desse tal “Nego”, que estaria aguardando ele no parque e que iria acontecer algo ruim. Nós já íamos embora, somente estávamos esperando ela (filha) brincar no brinquedo. Ele era um pai presente, minha filha até hoje é traumatizada, não gosta de passar perto de parque, de praças, ficou com medo”, completou.

Interrogatório

O réu confessou ter matado a vítima e argumentou que estava com medo que ele o matasse. “Umas duas semanas antes, ele tinha atirado contra mim. Uma vez foi perto da pousada (...) e outra quando eu estava em frente à casa de uma amiga. Ele chegou de táxi, sorriu e atirou contra mim”, contou.

Ao ser questionado pelo Ministério Público de onde era a arma, Samuel Sarabia contou que havia encontrado num campo. Após, ele contou como foi o crime. “Eu estava indo para o parque, fiquei sabendo que ele estava lá. Então, eu fui armado porque estava com medo dele, pois se achava o “traficante”, o "cara", e ficava encarando todos e se encarnou em mim. Se eu não tivesse matado ele, me mataria. Eu cheguei atrás dele, chamei, ele não se virou e então eu atirei”, confessou.

O réu também disse que não registrou as duas tentativas de homicídio pois, segundo ele, tinha medo. Disse que a briga não seria por drogas, apesar de que em outra audiência ele confessou, segundo o Ministério Público, que estava devendo R$ 200 para a vítima. “Mas não foi por isso que ele tinha rixa comigo, não foi uma escolha matar ele, aconteceu, me assustei com a presença dele, então achei que deveria ter feito isso. Não existia a hipótese de ferir outra pessoa, pois eu cheguei bem perto dele com arma quase encostada na cabeça dele”, encerrou.

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