ANO: 26 | Nº: 6590

José Carlos Teixeira Giorgis

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Desembargador aposentado e escritor
24/03/2018 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

Os jornais de estudantes de outrora (2)

Complementa-se o relato sobre jornais de secundaristas, gremiais e acadêmicos no período de 1861 a 1977.

Trombeta do Apocalipse (1952/53). Fundado por alunos do 2º Científico do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, que se digladiava com outra turma. De caráter literário e noticioso. Mensário e depois semanário, com duas ou quatro páginas. Tinha como lema “Combater o analfabetismo em todas as suas manifestações”. Existiu entre 1952 e 1953.

Trombeta Negra (1953). Era dos alunos do 3º Científico do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora e se opunha ao grupo do periódico anterior. Noticioso, em formato ofício, irregular. Desapareceu em 1953.

Normalista (1955). Foi editado pelas alunas da Escola Normal Espírito Santo para comemorar o cinquentenário do colégio e 25º ano de fundação do Curso de Formação de Professores Primários, Literário e noticioso, dirigido por Yeda Pons, sendo diretora Eva Maria Azambuja e secretária Odessa Saraiva Macedo. Com diversas colaboradoras era bimensal, com quatro ou seis páginas. Possivelmente feneceu no mesmo ano. Yeda e Eva eram professoras. Odessa, falecida precocemente, é nome do Centro de Desenvolvimento da Expressão.

Anseios (1955). Órgão fundado em 2 de setembro de 1955 pelos moços do Centro Cultural Leonel Franca. Periódico literário tinha por lema frase do homenageado: “O amor, vivo, absoluto, e eficaz, da verdade é a primeira virtude do escritor. Quem não sente arder-lhe o peito essa chama divina quebre a pena malfazeja”. Eram diretores José Inácio Haab e João de Deus Lima Galvão. Redator Catalino Brasil Machado. Secretário Nadir da Rosa Romero. Eram colaboradores: Eduardo Contreiras Rodrigues, Telmo Candiota da Rosa, Renato Gonçalves, Yeda Pons e Zair da Rosa Romero. Circulava apenas no período letivo. João Galvão foi médico, político, vereador e secretário municipal. É nome de escola municipal no Prado Velho. Catalino, advogado, vereador em 1963, um dos pioneiros pela criação dos cursos superiores. Eduardo, historiador, pecuarista e professor, um dos grandes intelectuais que a cidade teve. Telmo foi advogado, orador brilhante, polemista de firme posição ideológica, nome de escola municipal no bairro Santa Cecília. Nadir e Renato, jornalistas. Yeda, professora e advogada. Zair, professor secundário e universitário, político e secretário municipal, pessoa de firmes convicções.

O Arauto (1956). Fundado em 1º de abril de 1956 pelo Padre Honorino João Muraro para ser porta-voz do Instituto São Pedro de Educação e Assistência e reivindicações do bairro Getúlio Vargas. Em 1960, foi substituído pela Voz de São Pedro, em novembro de 1960. Era impresso no próprio Instituto. O Padre Muraro, dinâmico e operoso religioso seguidor de Dom Bosco, tem o nome associado a grandes obras no então Povo Novo, dirigente do instituto, dos ex-alunos salesianos do Grêmio Esportivo São Pedro. Criador dos periódicos. Membro do Lions Centro.

O Vagalume (1957). Fundado em 25/08/1957 pelo Grêmio Cultural Rui Barbosa. Crítico e literário Era dirigido por Arlei Vieira dos Santos, sendo redatores Jefferson Costa e Valter Fontes, também revisores junto a Antônio Rodrigues. Teve vida curta. Arlei, bancário, intelectual e escritor. Jefferson, professor, teve trajetória de destaque na política estudantil aqui e em Porto Alegre.

Ibagé (1960). Fundado pelo Grêmio Estudantil Ibagé, da Escola Artesanal Secretário Vieira da Cunha, sendo jornal literário, crítico, educacional, esportivo e de interesse geral, onde professores e alunos se expressavam. Lema; “O certo entre a mentira e a verdade só se faz com prejuízo da própria verdade”. Era dirigido pelo saudoso professor José Turíbio Lucas do Couto, tendo como gerente Zélia Silveira Mendonça, secretários Daíser Gonçalves Vaz, Leopoldo José Peres, Mauro Nóbrega, Nilton Silveira Mendonça e Rodinei Adão Pinto Lopes. Revisores os professores  Antônio Marum Deble, Rafaela Gonçalves Ribas e Wanda Lucas de Brito. Mensário, depois dominical numa segunda fase. Era impresso na Livraria Mundial, de Pelotas. Possivelmente circulou até 1961.

Fonte: Memória Histórica da Imprensa de Bagé, obra inédita de Gabriel Pereira Borges Fortes, Fernando Marcos Ronna e João Batista Marçal. Adaptações parciais do cronista, em vista do espaço jornalístico.     

            

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