ANO: 25 | Nº: 6401

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
24/03/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

Quem nunca errou, que atire a primeira pedra

Passaram-se mais de dois milênios e a lição de Jesus de Nazaré, que intitula estas mal traçadas linhas, ainda não foi entendida por uma grande parcela dos seres humanos que habitaram e habitam o nosso planeta.

Não é fácil se controlar e não julgar as atitudes e omissões alheias. E eu não me excluo dessa triste e infeliz mania. Tento evitar externar meus julgamentos sobre os outros, mas volta e meia me pego fazendo isso, ainda que apenas mentalmente.

A moral da história é simples: nossos erros, maiores ou menores, passados, atuais ou futuros, nos desautorizam ou desaconselham a condenar os erros dos outros. Apesar de todo o esforço que fazemos cotidianamente para não errar, é humanamente impossível acertar sempre. Então, perdoar é divino, compreender é sábio e esquecer é tudo! É aprender o rumo da paz interior e exterior e foi isso que Jesus tentou nos ensinar, mas que, geração após geração, teimamos em esquecer.

Isso ficou comprovado com o recente episódio dos assassinatos da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes que proporcionaram reações polarizadas demonstrando que o clima de “grenalização” dos debates políticos extrapolou todos os limites. De um lado a “Ética do Urubu” querendo tirar proveito do cadáver para ganhar os holofotes e/ou atingir seus adversários. De outro, uma reação estúpida, desrespeitosa e, por vezes, ridícula, de tentar minimizar a importância da vítima com ofensas pessoais, ou tentando justificar o assassinato por uma suposta vida pregressa reprovável dessa mesma vítima.

No meio de tudo isso, fiquei a imaginar a verdadeira dor de quem a conhecia, amava, admirava e elegeu e que, cá entre nós, representava um número de pessoas bem menor do que todos aqueles que se envolveram neste bate-boca de mau gosto, onde se destaca essa péssima mania de julgar os outros sem conhecer. A avalanche de reações que se sucederam ao assassinato, deixaram a impressão de que a vereadora – até então uma ilustre desconhecida para dezenas de milhões de brasileiros – morava na casa ao lado ou dividia a mesa do jantar diariamente, tal a propriedade e intimidade de quem a elogiava ou criticava. Quanto exagero!

O componente político-ideológico do bate-boca raso e nojento travado entre simpatizantes e antipatizantes da vereadora e/ou de tudo aquilo que ela representava, apenas reprisa tudo aquilo que já estava no discurso de ambos os lados, há tempos, ou seja, tiraram proveito do fato para reavivar um debate cheio de ofensas e desaforos, mas absolutamente vazio de conteúdo.

Quando li pessoas dizendo que ela foi mãe aos 16 anos, como se isso desabonasse sua conduta, me senti nos anos 70. Só faltou dizerem que ela foi mãe solteira! Que barbaridade! Como já disse Barack Obama: "Quando as pessoas ignorantes querem anunciar sua ignorância, você realmente não tem que fazer nada, é só deixá-las falar."

 

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