ANO: 25 | Nº: 6403

Divaldo Lara

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26/03/2018 Divaldo Lara (Opinião)

Aqui não, Lula!

Como democrata enalteço a liberdade de ir e vir, respeito os direitos humanos e não vivo a vangloriar governos totalitários. Minha democracia é a regida pelo Estado Democrático de Direito, tem leis aprovadas pelo congresso eleito pelo povo, tem um Judiciário que julga, condena ou absolve. E quando condena a pena tem de ser cumprida. E se o réu é uma pessoa pública, roubou, montou quadrilha, lavou dinheiro, está na hora de compreender que as mazelas acabaram, porque tem de cumprir pena e não ficar invadindo prédios públicos com a finalidade de fazer proselitismo político e campanha antecipada. E foi isso que Lula veio fazer em Bagé e por isso ouviu a manifestação dos bajeenses que bradaram em alto e bom som: Ladrão aqui, não!

A maioria das pessoas trabalhadoras desta terra se sentiram ofendidas com o carnaval do deboche que o PT pretendia fazer às 10 horas da manhã de uma segunda-feira útil, dia de trabalho para a maioria das pessoas honestas. Afinal, o que Lula e seus deputados vieram fazer? Visitar a Unipampa? Utilizar-se de um aparato tão grande, avião, ônibus, seguranças, deputados, assessores para chegar em Bagé, olhar a universidade e ir embora? Por quê? Um condenado em segunda instância pode fazer campanha eleitoral?

Bagé vive tempos de estiagem, sofrendo com um racionamento, prejuízos no campo, e o senhor Luis Inácio resolve vir fazer festa? Não. De jeito nenhum. Já não chega o que roubaram por esse Brasil afora com mensalões e petrolões?

E o pior. Anunciaram a vinda como se Bagé não existisse antes dele, nada havia, nada tinha e tudo pareceu obra do condenado mor. Comecei a recear pelo Rio Grande. Quando soube que no outro dia ia para Santa Maria, pensei: será que ele fez a UFSM? Não. A UFSM é de 1960. Ele fez a Universidade Federal de Pelotas? Não. Foi o governo militar em 1969. Quem sabe fez a Universidade Federal de Rio Grande? Também foi em 1969.

Eles atropelam a tua memória. Chegam passando por cima de consciências e dignidades com suas bandeiras vermelhas como se fossem os donos da verdade suprema.

Pois aqui em Bagé foram confrontados, ouviram nosso repúdio. Ao invés de vir fazer campanha, esses deputados todos poderiam vir ajudar a amenizar os prejuízos da estiagem. Ou, pelo menos, vir testemunhar o milagre que estamos fazendo apesar de ter recebido deles uma prefeitura quebrada, sem maquinário e com mais de 100 milhões em dívidas, sem projetos acabados e com um funcionalismo de salários defasados por longos 16 anos. Lula e seus deputados podiam vir visitar o que fizemos em apenas um ano, asfalto da Atilla Taborda, do Anel Rodoviário, da PM Éverton, do acesso à Unipampa, acesso ao São Sebastião, Monsenhor Costábile, Dr. Penna, Peri Coronel, Monteiro Alves, Quero-Quero... Que viessem ver o fim das filas de exames da saúde; a criação de um Centro Municipal de Educação; a recuperação do Km 21; o trabalho no aterro sanitário que eles transformaram em lixão; que viessem ver como está sendo tratada a infraestrutura de Bagé, há duas décadas abandonada; que viessem ver a política de atração de investimentos e de fortalecimento das empresas locais, que finalmente ganha espaço para crescer.

O Brasil acompanhou nosso grito em uníssono, por isso repetimos: ladrão aqui, não.

 

 

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