ANO: 25 | Nº: 6308

Luiz Fernando Mainardi

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Deputado Estadual
28/03/2018 Luiz Fernando Mainardi (Opinião)

Coisas que valem a pena

Acompanhei boa parte da caravana que o ex-presidente Lula fez pelo Rio Grande do Sul. Em boa parte dos lugares em que estivemos, desde Bagé até Cruz Alta, passamos por locais importantes da produção agropecuária gaúcha. Como se sabe, essa produção tem grande importância para a economia do Estado, representando algo em torno de 14% do nosso PIB (sem incluir o conjunto da cadeia, porque se agregamos a indústria, comércio e serviços ligados ao agro, isso sobe para quase 40% da nossa economia). E, como se sabe também, fui recentemente secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, durante o governo Tarso.

É natural, portanto, que, durante a caravana, quando nos deparamos com protestos, muitos deles violentos e com participação de pessoas ligadas à produção rural (em minoria, é verdade, porque a grande parte dos manifestantes anti-Lula eram partidários de Bolsonaro e ligados ao grupo fascista MBL), Lula me perguntasse o que levava-os a um ódio tão visceral. Para Lula, isso só poderia se explicar por conta de algum tipo de política que tivéssemos desenvolvido durante o recente governo petista do Rio Grande do Sul.

Fiquei pensando a respeito e me espantei tão ou mais que o ex-presidente com a receptividade negativa dessa minoria. Primeiro porque, durante o governo Lula, houve um crescimento espantoso da produção agrícola e pecuária brasileira, o que, evidentemente, impactou positivamente o agronegócio gaúcho. Em todos os anos de Lula, houve recordes de produção, incremento nas exportações e no consumo interno e o Brasil se consolidou com uma potência do agronegócio.

Mas e aqui? Quando assumi a Secretaria de Agricultura, ampliamos o crédito para os produtores, desenvolvemos programas de incentivo à produção e, mais importante, à compra dessa produção pela indústria gaúcha. Contávamos, é verdade, com forte subsídio do governo federal para garantir o crédito, o que nos dava lastro para o desenvolvimento das políticas públicas. Para se ter uma ideia, em minha gestão, pela primeira vez, o Rio Grande do Sul teve um Plano Safra, que era complementar ao Plano Safra nacional. Esse Plano, que organizava o conjunto de políticas de incentivo, crédito e apoio à produção foi esvaziado no primeiro ano do governo Sartori.

Na cadeia do arroz, para citar apenas um exemplo, cientes de que havia um descontrole de gestão, desenvolvemos políticas para dar estabilidade à produção, equilibrando-a com a demanda, já que o problema fundamental que tínhamos era excesso de produto no mercado.

Frente a isso, não vacilamos. Através de políticas fiscais, adotamos uma prática de créditos presumidos para a indústria que optasse por comprar arroz de nossos produtores, de forma a tornar nosso produto mais competitivo e diminuir a importação. Igualmente, com o apoio da APEX injetamos cerca de R$ 1,5 bilhão em programas de compras e estocagem e para ampliar nossa exportação, abrindo mercados que foram fundamentais para os produtores gaúchos, principalmente Cuba e Venezuela, além de incluir o arroz gaúcho no Programa Mundial de Alimentos, da FAO.

Tudo isso teve impacto fundamental para dar estabilidade e competitividade para a cultura do arroz gaúcho, um dos produtos mais tradicionais e estratégicos de nossa lavoura. Conforme estimativas, estas políticas melhoraram o preço pago aos produtores de forma que tiveram um ganho real de renda de cerca de R$ 6 bilhões durante o período de minha gestão.

Quando me perguntam sobre os resultados de nossa gestão na Agricultura, que, aliás, contou com o apoio de entidades importantes dos produtores, incluindo aí o agronegócio e o cooperativismo, respondo com um dado apenas, que para mim sintetiza muito do que significou nossa passagem pelo governo do estado e pela Secretaria da Agricultura: em 2010, último ano da gestão de Yeda Crusius (PSDB), os negócios na Expointer chegaram a R$ 850 milhões. Em 2013, terceiro ano de nosso governo, fechamos a principal exposição-feira da América Latina com R$ 3,2 bilhões em negócios. Porque será? Além disso, ninguém investiu tanto em irrigação e na recuperações dos órgãos de pesquisa e apoio, como Irga, Fepagro e Emater. Basta olhar os dados.

Por isso, posso dizer sem medo de errar que o saldo de nossa gestão foi muito positivo para a agropecuária gaúcha. E isso só pode nos causar orgulho. Mas, como diz o outro, não se pode agradar a todos. Tem gente, como se viu, que prefere a falta de crédito e o descaso de Sartori e Temer. Vai entender!

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