ANO: 25 | Nº: 6256

José Artur Maruri

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Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
30/03/2018 José Artur Maruri (Opinião)

Allan Kardec, o bom senso encarnado

Em 31 de março de 1869, há 149 anos, deixava a existência física o chamado “Codificador do Espiritismo”, Allan Kardec.

E, em sua homenagem, recordaremos alguns trechos extraídos de “Obras Póstumas”, livro publicado após o seu desencarne com trabalhos que não teve tempo de trazer a lume.

Em “Obras Póstumas”, vamos encontrar, por exemplo, Nícolas Camille Flammarion, mais conhecido como Camille Flammarion, astrônomo, pesquisador psíquico e divulgador científico francês. Membro da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas - fundada pelo codificador do Espiritismo Allan Kardec, o astrônomo proferiu um longo discurso em homenagem ao “Codificador” em seu enterro, do qual extraímos alguns pontos:

“Morto na idade de 65 anos, Allan Kardec consagrara a primeira parte de sua vida a escrever obras clássicas, elementares, destinadas, sobretudo, ao uso dos educadores da mocidade. Quando, pelo ano de 1851, as manifestações, novas na aparência, das mesas girantes, das pancadas sem causa ostensiva, dos movimentos insólitos de objetos e móveis começaram a prender a atenção pública, determinando mesmo, nos de imaginação aventureira, uma espécie de febre, devida à novidade de tais experiências, Allan Kardec, estudando ao mesmo tempo o magnetismo e seus singulares efeitos, acompanhou com a maior paciência e clarividência judiciosa as experimentações e as tentativas numerosas que então se faziam em Paris”.

“Recolheu e pôs em ordem os resultados conseguidos dessa longa observação e com eles compôs o corpo de doutrina que publicou em 1857, na primeira edição de O Livro dos Espíritos. Todos sabeis que êxito alcançou essa obra, na França e no estrangeiro. Havendo atingido a 16ª edição, tem espalhado em todas as classes esse corpo de doutrina elementar que, na sua essência, não é absolutamente novo, porquanto a escola de Pitágoras, na Grécia, e a dos druidas, em a nossa pobre Gália, ensinavam os seus princípios fundamentais, mas que agora reveste uma forma de verdadeira atualidade, por  corresponder aos fenômenos”.

“Depois dessa primeira obra apareceram, sucessivamente, O Livro dos Médiuns, ou Espiritismo Experimental; — O que é o Espiritismo? Ou resumo sob a forma de perguntas e respostas; — O Evangelho segundo o Espiritismo; — O Céu e o Inferno; — A Gênese. A morte o surpreendeu no momento em que, com a sua infatigável atividade, trabalhava noutra sobre as relações entre o Magnetismo e o Espiritismo”.

“Pela Revista Espírita e pela Sociedade de Paris, cujo presidente ele era, se constituíra, de certo modo, o centro a que tudo ia ter, o traço de união de todos os experimentadores. Faz alguns meses, sentindo próximo o seu fim, preparou as condições de vitalidade de tais estudos para depois de sua morte e instituiu a Comissão Central que lhe sucede”.

Como se vê, em resumo assinado por Camille Flammarion, podemos ter uma ideia da relevância da estada de Allan Kardec pela Terra. Ele era, segundo Flammarion, “o bom-senso encarnado”.

A Revista Espírita de maio de 1869, publicada um mês após o seu desencarne, relata que na bandeira de Allan Kardec estavam inscritas as seguintes palavras: trabalho, solidariedade e tolerância.

“Sejamos, como ele, infatigáveis; sejamos, acordemente com os seus anseios, tolerantes e solidários e não temamos seguir-lhe o exemplo, reconsiderando, quantas vezes forem precisas, os princípios ainda controvertidos. Tentemos avançar, antes com segurança e certeza, do que com rapidez, e não ficarão infrutíferos os nossos esforços, se, como estamos persuadidos, e seremos os primeiros a dar disso exemplo, cada um cuidar de cumprir o seu dever, pondo de lado todas as questões pessoais, a fim de contribuir para o bem geral”.

“Não há fé inabalável, senão a que pode encarar face a face a razão, em todas as épocas da Humanidade. À fé, uma base se faz necessária e essa base é a inteligência perfeita daquilo em que se tem de crer. Para crer não basta ver, é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega já não é para este século. É precisamente ao dogma da fé cega que se deve o ser hoje tão grande o número de incrédulos, porque ela quer impor-se e exige a abolição de uma das mais preciosas faculdades do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio.” – Allan Kardec em “O Evangelho segundo o Espiritismo”.

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