ANO: 25 | Nº: 6378

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
30/03/2018 Airton Gusmão (Opinião)

Páscoa: a Vida vence a morte

Neste domingo da Páscoa do Senhor, ouvimos da pregação de Pedro: “Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio, porque Deus estava com ele. E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia. E Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que Deus o constituiu Juiz dos vivos e dos mortos” (At 10,34a.37-43).

Somos convidados a dar graças ao Senhor como nos pede o salmista, porque este é o dia que o Senhor fez para nós (Sl 117). Por vezes, devido a tantas correrias e distrações da vida, talvez esquecemos ou não refletimos e rezamos suficientemente sobre as verdades da nossa fé, esperança e amor cristão: que Jesus Cristo foi crucificado, morto e sepultado; que desceu à mansão dos mortos e ressuscitou ao terceiro dia; e que cremos na ressurreição da carne e na vida eterna.

A ressurreição de Jesus “não é um retorno à sua vida anterior na terra. Ele não retorna a essa vida biológica que conhecemos, para morrer um dia de maneira irreversível. A ressurreição não é a reanimação de um cadáver. É muito mais. Jesus não retorna a esta vida, mas entra definitivamente na ‘Vida’ de Deus. Uma vida libertada, onde a morte já não tem nenhum poder sobre ele. Paulo afirma: ‘Sabemos que Cristo, uma vez ressuscitado dentre os mortos, não volta a morrer, a morte já não tem domínio sobre ele. Porque, quando morreu, morreu para o pecado de uma vez para sempre; seu viver, em compensação, é um viver para Deus’ (Rm 6,9-10)” (Jesus: aproximação histórica – José Antônio Pagola, pag. 495).

No evangelho deste domingo de Páscoa, ouvimos que o outro discípulo, aquele que correu com Pedro, após o anúncio de Maria Madalena, chegando primeiro ao túmulo, ele entrou, viu e acreditou (Jo 20,1-9). Ele fizera já antes a experiência de amor ao Mestre. Por isso, a ausência do corpo não impediu que ele compreendesse que Jesus continuava presente entre eles. O Amor faz “correr mais rápido” e faz crer ao ver nos sinais da ausência, a presença transformadora e gloriosa do Cristo.

Refletindo sobre a ressurreição de Cristo, o Papa Francisco nos diz: “Deixemo-nos iluminar pela ressurreição de Cristo, deixemo-nos transformar pela sua força, para que também através de nós, no mundo, os sinais de morte deixem o lugar aos sinais de vida. Esta é a vossa missão. Levai em frente esta esperança. Permanecei alicerçados nesta esperança, nesta âncora que está no céu. Vós, testemunhas de Jesus, deveis levar em frente o testemunho de que Jesus está vivo” (Audiência geral, abril de 2013).

A fé na ressurreição enche nosso coração da certeza de que nenhuma pergunta nossa ficará sem resposta, nenhuma dor ficará sem consolo, nenhuma ferida ficará sem ser curada e nenhuma lágrima ficara sem ser enxugada. O Ressuscitado vive entre nós. A Páscoa celebra o triunfo da vida sobre a morte. A Ressurreição de Cristo nos garante que Deus assumiu a causa da vida. Anunciemos com alegria e coragem, a exemplo das primeiras testemunhas, que o Ressuscitado está presente entre nós; nos convidando a sair dos nossos túmulos: da indiferença, do medo, de tantas situações de violência, da falta de esperança e solidariedade, da alienação e toda forma de comodismo que não nos deixam reagir diante das injustiças da sociedade e do mundo.

Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Uma Feliz Páscoa a todos os leitores do Jornal MINUANO. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade!

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