ANO: 25 | Nº: 6378
04/04/2018 Editorial

Mais um dia tenso em Brasília

Assim como em 2016, quando o Congresso Nacional votou o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em meio a uma divisão de “torcidas” literalmente separadas por um muro no coração de Brasília, o cenário promete ser, ao menos, similar no dia de hoje.

Desta vez, contudo, o foco será outra repartição. Nada de Câmara dos Deputados, tampouco do Senado. Será o Supremo Tribunal Federal (STF) o local mais agitado do País, ou deverá ser. Tudo porque acontece o julgamento do habeas corpus apresentado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Decisão esta que pode determinar o futuro do petista em sua busca por concorrer, mais uma vez, ao mais alto posto de comando do Brasil. Mesmo liderando pesquisas eleitorais, ele poderá ver o favoritismo, do campo estatístico, de nada servir, caso não obtenha uma sentença favorável.

E tão significativo quanto os pareceres dos magistrados será o ambiente externo. Informações divulgadas ontem adiantavam que o Batalhão de Policiamento de Trânsito da Polícia Militar iria interditar, desde as primeiras horas de hoje, o fluxo de veículos na zona central do Plano Piloto. Isso porque a previsão, do governo do Distrito Federal, era que dois grupos, favoráveis e contrários ao ex-presidente, iriam ocupar a área nesta quarta-feira. Organizadores, aliás, projetavam que cerca de 10 mil manifestantes de cada movimento deverão estar presentes. Esta possível “muvuca” resultou na decisão que remonta a 2016: mais uma vez, um corredor de policiamento ostensivo e uma grade de 1,20 metro de altura foram anunciados para separar os manifestantes.

De fato, a decisão de hoje poderá refletir nas eleições agendadas para este ano. Porém, por outro lado, para o País, tamanha movimentação perante um julgamento em pouco tem de valor para uma parcela expressiva da população que vive dia a dia enfrentando problemas muito mais sérios. Num cenário bem definido, mais que projetar quem será o próximo presidente, é necessário atentar para a atual situação do País. A crise política persiste de tal maneira que aparenta nem ao menos se aproximar de uma solução. A economia, se por instantes demonstra recuperação, em pouco vem mostrando resultado no bolso do trabalhador. Os impostos crescem sem receio, salários não. Há tantas questões a serem resolvidas que, no mínimo, focar as atenções em uma única opção é desmerecer as muitas outras que podem existir para conduzir a Nação. E elas hão de existir.

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