ANO: 24 | Nº: 6108
04/04/2018 Segurança

Réus acusados por tentativa de homicídio de casal são condenados

Foto: Rochele Barbosa/Especial JM

Em baixo, Lindomar Brião e, na parte de cima, Valdoir Alabi, com o defensor público mais acima
Em baixo, Lindomar Brião e, na parte de cima, Valdoir Alabi, com o defensor público mais acima

Lindomar Gonçalves Brião, conhecido como “Potoca”, de 28 anos, e Valdoir Silveira Alabi, conhecido como “Capengo”, de 32 anos, foram condenados, ontem, a 6 anos, 2 meses e 20 dias, em regime inicial fechado, pela tentativa de homicídio simples de André dos Santos Martins e Mislene Silva de Moraes, ocorrida no dia 26 de março de 2013. Os dois réus já estão presos.
Conforme a denúncia da 1ª Vara Criminal de Bagé, Potoca e Capengo, com intenção de matar e armados com revólveres, desferiram inúmeros tiros contra as vítimas. No dia do fato, segundo sentença, os réus, que estavam em um automóvel Escort, cor prata, abordaram as vítimas, que estavam em uma motocicleta, e de plano iniciaram a desferir tiros. O delito teria sido praticado por anterior desentendimento, oriundo de desavenças entre a vítima André e os denunciados, Lindomar e Valdoir, enquanto estiveram presos no Presídio Regional de Bagé (PRB).
O crime somente não se consumou, segundo a denúncia, porque as vítimas não foram atingidas em região de letalidade imediata e porque receberam pronto e eficaz atendimento médico.


Vítimas
Em seu depoimento, Martins disse que em outros depoimentos não teria falado realmente o que teria ocorrido. Ele afirmou que não se recordava do fato, não sabia quantos tiros tinham desferido contra ele e que estava com dinheiro da venda de um automóvel. “A minha esposa também estava nervosa com a situação, e então acabamos falando outras coisas”, explicou.
A vítima disse que não tinha desavenças com os acusados e que já havia sofrido outras seis ou sete tentativas de homicídio, pois tem muitas inimizades. “As inimizades são por causa de bailes e armas, discussões e acaba que os parentes, familiares se envolvem, e, então, agora como estou preso, acredito que tenham acabado essas rixas”, falou.
Ele ainda afirmou acreditar que teriam atirado “de brincadeira”, destacando que, no mesmo dia, teria sofrido outra tentativa de homicídio.
A esposa de André, Mislene, relatou que no dia do fato tinha saído do trabalho e estava de carona com seu marido, na moto, quando percebeu que havia um veículo Escort atrás deles. “Eles estavam nos seguindo. Falei para o meu marido e ele disse que achava que não. Então, perto do Bagé, eles atiraram contra mim. Deram mais de um disparo de revólver. Daí o André fez a volta e conseguimos ir para o hospital”, contou.
Mislene ressaltou que os tiros eram em direção a ela e um disparou, que a acertou, atravessou sua perna e atingiu o seu companheiro. “Quando fomos para o pronto-socorro, meu marido disse que era para dizer que tínhamos sofrido um assalto. A Brigada Militar chegou lá e depois na delegacia eles mostraram fotografias e eu reconheci os dois acusados”, completou.
O promotor de justiça criminal, Cláudio Rafael Morosin, mostrou fotos que estavam anexadas ao processo e a vítima reconheceu os dois réus e que havia sido aquelas fotos que tinha visto. “No momento do fato, o André ainda gritou para eles que estava comigo na carona, que não era pra eles atirar, mas eles seguiram atirando. Eu não sabia de desavenças na prisão. Meu marido estava no semiaberto, depois fiquei sabendo. No mesmo dia atiraram novamente contra ele, próximo ao Presídio Regional de Bagé (PRB), mas não me falou se foram os mesmos homens”, acrescentou a vítima.
Ela também contou que na quinta-feira passada, em visita ao companheiro no PRB, ele pediu para que ela “deixasse assim” e não falasse mais nada sobre isso. “Eu falei que ia dizer a verdade, não atiraram nele e sim em mim”, informou.


Testemunhas de acusação
Dois policiais militares foram ouvidos sobre o fato, pois tinham prestado atendimento às vítimas e procuraram os suspeitos no dia do crime. Um dos policiais destacou que ao chegarem no hospital, André contou que teria sido o “Potoca” e o “Capengo” que tinham feito isso. “A gente priorizou o fato, pois o crime ocorreu próximo a uma escola, no horário de aula, e as pessoas ligaram para o 190 pedindo ajuda”, declarou.
O outro policial confirmou a informação e ainda completou que, junto com o dinheiro encontrado com André, havia um mapa, com ruas, casas e nomes que poderiam ter ligação com o tráfico de drogas, momento em que os agentes da investigação da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecente e Capturas (Defrec) foram chamados para acompanhar a investigação.
Ambos disseram que a mulher não falava muito e que André teria apontado os dois réus como culpados.


Interrogatórios

O primeiro a ser interrogado foi Alabi. Ele informou que não estava no momento do fato. “Eu, o Lindomar e duas mulheres estávamos na cachoeirinha da Hulha Negra, no dia que isso aconteceu. Não tenho nada a ver com o fato. Nem sei porque estão dizendo que fui eu”, disse.
O réu também informou que a história estaria “mal contada”. "Se fosse eu que tivesse atirado, a cerca de um metro das vítimas, teria acertado e matado ele. Acho que ele falou num momento de raiva, achou o carro parecido com o meu e disse isso”, destacou.
Brião confirmou dizendo que estava em Hulha Negra e que todos que falaram no júri estavam mentindo. “Ela disse que era a gente, mas a gente tava com as nossas “amantes” na cachoeirinha de Hulha, eles mentiram”, concluiu.

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