ANO: 25 | Nº: 6379

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
07/04/2018 Airton Gusmão (Opinião)

A fé vivida e testemunhada a partir da comunidade cristã

Na alegria deste Tempo Pascal somos convidados a acolher a presença do Ressuscitado na comunidade eclesial, na Igreja. É interessante observar neste segundo domingo da Páscoa, que o Ressuscitado aparece por duas vezes na comunidade reunida: “No primeiro dia da semana, estando fechadas as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e, pondo-se no meio deles disse: 'A paz esteja convosco’. Os discípulos se alegraram e ouviram estas palavras: ‘Como o Pai me enviou, também eu vos envio. Recebei o Espírito Santo’. E na segunda aparição Jesus pôs-se no meio deles e disse: ‘A paz esteja convosco’, dizendo a Tomé: ‘Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel’; falando que são bem-aventurados os que creram sem terem visto” (Jo 20,19-31).
A fé, para ser sincera, deve ser uma adesão livre e amorosa, feita por cada um de nós, à pessoa de Jesus. No entanto, o que nós acreditamos, o acreditamos juntos, em comunhão; pois, aquilo que confessamos acreditar, o recebemos justamente da Comunidade-Igreja, das “testemunhas”, daqueles que começaram a seguir Jesus desde o início.
No Livro dos Atos dos Apóstolos lemos que os primeiros cristãos: “Eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações”(2,42). A comunhão fraterna aqui indica a partilha de bens, onde o ideal era chegar a uma partilha não somente dos bens materiais, mas também dos bens espirituais, dos sentimentos e da experiência de vida em comunidade; como uma atitude concreta vivida pela comunidade que surgiu da Páscoa e como manifestação autêntica e espontânea da fé.
O Documento 102 da CNBB, Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, falando sobre a identidade, vida e missão da comunidade eclesial, diz o seguinte: “O discípulo missionário de Jesus Cristo, necessariamente, vive sua fé em comunidade (1Pd 2,9-10), em íntima união ou comunhão das pessoas entre si e delas com Deus Trindade. Sem vida em comunidade, não há como efetivamente viver a proposta cristã. A comunidade eclesial acolhe, forma e transforma, envia em missão, restaura, celebra, adverte e sustenta” (nº55).
Refletindo sobre esta exigência eclesial da fé cristã, o Papa Francisco nos ajuda dizendo o seguinte: “A verdadeira fé no Filho de Deus feito carne é inseparável do dom de si mesmo, da pertença à comunidade, do serviço, da reconciliação com a carne dos outros. Os discípulos do Senhor são chamados a viver como comunidade que seja sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-16). São chamados a testemunhar, de forma sempre nova, uma pertença evangelizadora. Não deixemos que nos roubem a comunidade” (A Alegria do Evangelho, nº 88 e 92).
A fé cristã supõe o amor. A vivência da comunhão com a ressurreição de Jesus, testemunhada pelos apóstolos e pelas primeiras comunidades cristãs, é propulsora de partilha e de atenção às necessidades dos outros. Quem vive a Páscoa promove a vida dos irmãos. Por isso, que uma vida comprometida com os valores do Evangelho nunca deixa de chamar atenção. O testemunho pessoal e comunitário dos cristãos sempre será uma Boa Notícia para todos que não desistem de buscar um sentido grande para a própria vida.
Vivamos a nossa fé em comunidade, sendo testemunhas do amor de Deus Trindade. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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