ANO: 26 | Nº: 6590
09/04/2018 Cidade

Situação da Saúde de Bagé e Aceguá é apontada em levantamento do Conselho Federal de Medicina

Foto: Antônio Rocha

Sheila, Júlia e Kalil avaliam dados referentes à cidade
Sheila, Júlia e Kalil avaliam dados referentes à cidade

O Conselho Federal de Medicina (CFM) divulgou, na semana passada, uma radiografia da situação da saúde em municípios de fronteira. Os dados foram pauta de debates no II Fórum de Médicos de Fronteiras, que aconteceu em Campo Grande (MS). O levantamento apontou informações sobre a infraestrutura das unidades de saúde, além da incidência de doenças infectocontagiosas.

Infraestrutura

Bagé e Aceguá, dois municípios fronteiriços, foram apontados no levantamento, com dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), coordenado pelo Ministério da Saúde. De acordo com as informações, em relação à infraestrutura, Bagé ocupa a segunda posição, atrás apenas de Uruguaiana e à frente de Santana do Livramento e São Borja. Isso porque a cidade oferece 16 Unidades Básicas de Saúde (UBS), três hospitais, 166 leitos para o Sistema Único de Saúde (SUS) para internação e 35 leitos SUS para Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

Em relação à distribuição de profissionais da área da Saúde, a cidade também apresentou índices satisfatórios. Em 2011 haviam 160 médicos atuantes em Bagé. O número de profissionais aumentou, em 2017, para 181 profissionais.

O número de enfermeiros também aumentou de 79 para 99, em relação aos anos de 2011 e 2017. Somente o número de odontologistas que diminuiu, de 68, em 2011, para 63, em 2017.

Serviços prestados

Os demais dados tabulados foram comparativos entre os anos de 2011 e 2017, como em relação à produção ambulatorial e hospitalar via SUS. Em Bagé, no ano de 2011, foram realizadas 238.275 consultas médicas. Esse número caiu para 321.951 em 2017. Enquanto isso, em 2011, foram realizadas 7.882 internações e, em 2017, o índice também apresentou queda para 6.754.

O número de partos e nascimentos também apresentou declínio no comparativo. Em 2011, foram registrados 558 nascimentos e, em 2017, esse número diminuiu para 482.

Indicadores de incidência de doenças e mortalidade

Também foi avaliada, pela CFM, a situação epidemiológica nas fronteiras. Um dos índices leva em conta o número de casos de hanseníase, doença erradicada em muitos países. Enquanto a média nacional é de 10,23 casos a cada 100 mil habitantes, em Bagé o índice é de 18,58 casos a cada 100 mil pessoas.

O índice de mortalidade infantil – número de óbitos de menores de um ano de idade por mil nascidos vivos - também foi acima da média nacional. Bagé registrou 14,86 casos, enquanto a média no País é de 12,42.

Das doenças apontadas na pesquisa, apenas em casos de tuberculose a cidade ficou abaixo da média nacional, que é 33,83 a cada 100 mil habitantes, com 30,33 casos.

Aceguá

O município de Aceguá registra duas UBS, um hospital (na Colônia Nova) e 33 leitos para internação via SUS, mas nenhum leito para UTI via Sistema Único de Saúde (SUS).

Um dado que chamou atenção no levantamento, em relação à Aceguá, foi o número de casos de hanseníase registrados. Enquanto a média nacional é 10 ,23, a cidade fronteiriça registrou 28.84 casos a cada 100 mil habitantes.

Retorno da Secretaria de Saúde

O secretário de Saúde e Atenção à Pessoa com Deficiência, Mário Mena, disse que, ao assumir a pasta, realizou uma leitura rápida das necessidades da rede e iniciou o trabalho de “organização da casa”. Assim, aponta que o trabalho não foi desenvolvido a pleno no ano passado, pois ainda não contava com a organização da atual gestão.

Para ele, os números relativos aos casos de mortalidade infantil em 2017, 29 óbitos de menores de um ano, são um reflexo do trabalho que já vinha sendo desenvolvido pela gestão anterior. Kalil afirma isso com um comparativo realizado pela enfermeira Sheila Tavares, do Centro de Referência Materno-Infantil Camilo Gomes, e pela obstetra Júlia Castilho, que apontou que no primeiro trimestre de 2017 o índice de óbitos de menores de um ano era de 15%. Como reflexo do trabalho que vem sendo desenvolvido pela secretaria, o índice caiu para menos da metade no mesmo período deste ano, registrando 7%. “Uma questão de orgulho para nós foi o índice de março deste ano, com 0% de mortalidade infantil. Não registramos nenhum óbito de menores de um ano”, destacou.

Já sobre os casos de hanseníase, considerada até então erradicada, apenas um caso foi o suficiente para elevar o índice acima da média brasileira. Sheila conta que desde 2004 não havia registros de pacientes com a doença na cidade. Em outubro de 2017, apenas um caso não autóctone foi registrado, de um paciente vindo de Mato Grosso do Sul.

 

 

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