ANO: 25 | Nº: 6353
10/04/2018 Campo e Negócios

Custos de produção pautam debate sobre Plano Safra

Promovido pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), o debate sobre o Plano Safra 2018/2019 trouxe as demandas das entidades gaúchas do setor para o próximo Plano Agrícola e Pecuário, realizado pelo governo federal, e que deve ser anunciado nos próximos meses. O evento, que ocorreu ontem, contou com a presença do secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Wilson Vaz Araújo.
Abrindo os trabalhos, o vice-presidente da Federarroz, Alexandre Velho, reforçou os problemas enfrentados com a cadeia produtiva do arroz. Foi solicitada a agilização por parte do governo em relação à liberação do mecanismo de Aquisições do Governo Federal (AGF). Ele lembrou que, na semana passada, se encaminhou com o Banco do Brasil uma solução emergencial para o endividamento dos produtores de arroz, que deve ser fechada nos próximos dias. "É uma solução emergencial, que consideramos paliativa porque não resolve o endividamento no curto prazo", destacou.
Outro ponto questionado pelo dirigente da Federarroz foi a disparidade do custo de produção e dos preços mínimos do arroz, que hoje estão em R$ 36,01 a saca de 50 quilos. A ideia é pedir uma revisão dos valores. "É uma conjunção de fatores que precisamos trabalhar com o Ministério da Agricultura com os custos de produção e os preços mínimos. Existe uma defasagem no preço mínimo do arroz entre 10% e 15% e a Companhia Nacional de Abastecimento já tem os nossos argumentos", disse.
O vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Alceu Moreira (MDB/RS), que conduziu os trabalhos do debate, apontou como prioridades para o Plano Safra a resolução do problema das assimetrias do Mercosul, que vem afetando setores como arroz e leite. Inclusive já anunciou que tratará do assunto em breve, em reunião na Casa Civil, com os ministros que tratam do assunto do bloco econômico.
Além disso, Moreira atacou especialmente o alto custo de produção das culturas agrícolas que está inviabilizando muitas lavouras pelo País. Ele afirmou que é impossível fazer planejamento sem renda. "No caso do arroz, os custos de produção chegaram a uma grande desconformidade que o produtor joga a semente no chão e sabe que vai colher prejuízo. É preciso retirar os sócios ocultos, que são os tributos, dessa planilha de crédito. Somos o único setor que não consegue fazer compensação de crédito", destacou.
Araújo reiterou, durante o debate, que, mesmo com as dificuldades econômicas e financeiras que o País vem enfrentando, o governo federal vai contar com recursos e um pacote de ferramentas para financiamento da safra. Sobre os custos de produção, ele concordou que é necessário esmiuçar as planilhas projetadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de forma que a política agrícola reconheça onde estão os gargalos.
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura disse que está ciente sobre as medidas estruturais que são necessárias para cadeias produtivas como arroz e leite. No caso da orizicultura, Araújo anunciou que uma portaria liberando o AGF já está com o Ministério da Fazenda e deve ser divulgada ainda nesta semana. "Para nós o que chegou como medida mais forte é a situação do arroz. Esta portaria será liberada em breve e acredito que tudo estará operacionalizado para a próxima semana", salientou.

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