ANO: 24 | Nº: 6063

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
10/04/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

É o que tem pra hoje!

Muitas vezes ouvi a frase: Enquanto não aparece a pessoa certa, vou me divertindo com as erradas.

Confesso que quase sempre que escutei isso fiquei incomodada, não entrou bem no ouvido. Refletindo sobre por que tal frase me perturba chego à conclusão que este “tipo de provérbio” foi criado por adolescentes para explicar que às vezes estão ficando com alguém que não consideram legal. Era o que tinha pra hoje...

Ou seja, é quase sempre a justificativa para uma atitude autodestrutiva típica de nossos tempos. Assim como parece que todos se referem com uma certa dose de piedade porque a “amiga” passou uma festa sozinha. Não é bom ficar só, nem que este alguém seja uma “baita fria”. Neste caso, a pessoa errada é errada não porque não preste, ou seja isso e aquilo, mas simplesmente porque não é o que se quer, não tem aquelas características que procuramos. A “pobrezinha” sem saber está enquadrada na categoria dos “não tem tu, vai tu mesmo”. Sem dúvida, é uma associação que por mais passageira que seja está fadada ao fracasso.

Quero salientar bem que, a meu ver, sucesso num relacionamento não se mede apenas pelo tempo de sobrevivência, mas, sobretudo pelo nível de aprendizado e autoconhecimento que proporcionou.

Voltando à frase, fica evidente outro aspecto negativo. Parece que hoje temos dificuldade em experimentar momentos divertidos sem estar na presença de outra pessoa. Realmente percebo que está aí o problema. Quando alguém não consegue ser feliz com, e apenas, sua própria companhia, surge uma necessidade tão grande que ofusca a importância da seleção. Banaliza-se tanto a questão que acaba se resumindo a outra frase feita: qualquer coisa é melhor que nada.

Mas, espera um pouco! Estamos falando de pessoas e de relacionamentos. Nenhuma frase importada daqui ou dali vai justificar nossas escolhas. Se é preciso justificar é porque algo já não vai bem e estamos tentando enganar, não aos outros, mas a nós mesmos.

Tudo bem. Se você é daqueles que pensa que a vida é uma festa e não podemos perder tempo escolhendo, temos mais é que nos divertir, quem sou eu para dizer que está errado. Gosto muito de debates e questionamentos. Penso que se questionar é quase uma arte de descobrir a própria verdade. Portanto, peço apenas que se você já utilizou esta frase ou outra parecida responda sinceramente ou reflita sobra estas questões:

- Por que para se divertir é necessário estar acompanhado?

- Alguma vez você se sentiu feliz por existir como indivíduo?

- Você acredita que existe a pessoa certa para você?

- Suas atitudes, que é o que os outros podem perceber, fazem de você a pessoa certa para quem?

 - Será mesmo que existe a pessoa, aquele ser perfeito, para nós que está lá (não se sabe onde) nos bastidores da vida esperando que a gente se divirta um pouco primeiro e depois “tchanam”, entra em cena e “vamos ser felizes?”

Peço licença e digo o que penso. A maior responsabilidade é tentar descobrir quem somos e em quem estamos nos transformando com nossas atitudes atuais. A partir daí vamos tendo a condição de perceber primeiro quem não contribui para o tipo de vida que queremos e depois, sim, a afinidade pode falar mais alto.

E se a pessoa certa de fato existir e nos encontrasse em plena curtição com a errada, será que iria nos reconhecer?

 

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