ANO: 24 | Nº: 6106

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
14/04/2018 Airton Gusmão (Opinião)

Não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa

“O homem precisa da ‘grande Esperança’ para poder viver o seu próprio presente; a grande esperança que é ‘aquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até o fim’ (Jo 13,1)” - Sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, nº 91.
Enquanto pessoas humanas, inseridas na história, na sociedade, em meio aos desafios culturais, sociais, políticos e econômicos, poderemos muitas vezes passar pela tentação do medo, da desesperança, da acomodação, da dúvida, do deixar de acreditar na vida, em Jesus Cristo, em nós mesmos e uns nos outros, no desprezar a importância da pertença à comunidade eclesial e assim por diante.
Neste terceiro domingo do Tempo Pascal (Lc 24,35-48), Jesus Ressuscitado se faz presente novamente em meio à comunidade que acolhia o testemunho dos discípulos de Emaús; comunidade esta com preocupações, dúvidas, ainda não acreditando; e que precisaram passar pela experiência de serem tocados pelo ressuscitado, no sentido de terem a inteligência aberta para entenderem as Escrituras e, por envio dEle, serem, agora, suas testemunhas.
Nesta semana acolhemos com muita alegria e gratidão mais uma Exortação Apostólica do Papa Francisco, sobre o caminho para uma santidade ao alcance de todos; onde nos lembra que o Senhor nos quer santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa.
Trazemos presente alguns trechos desta exortação para nos ajudar a renovar a nossa esperança naquele Deus que possui um rosto humano e que nos amou até o fim, e que nos pede hoje que sejamos suas testemunhas:
“A santidade é ousadia, é impulso evangelizador que deixa uma marca neste mundo. Para isso ser possível, o próprio Jesus vem ao nosso encontro, repetindo-nos com serenidade e firmeza: ‘não temais’ (Mc 6,50); ‘Eu estarei sempre convosco até ao fim do mundo’ (Mt 28,20).
Olhemos para Jesus. A sua entranhada compaixão não era algo que O ensimesmava, não era uma compaixão paralisadora, tímida ou envergonhada. Era uma compaixão que O impelia fortemente a sair de Si mesmo, a fim de anunciar, mandar em missão, enviar a curar e libertar. Somos frágeis, mas portadores dum tesouro que nos faz grandes e pode tornar melhores e mais felizes aqueles que o recebem.
Deus é sempre novidade que nos impele a partir sem cessar e a mover-nos para ir mais além do conhecido, rumo às periferias e aos confins; lá onde se encontra a humanidade mais ferida e aonde os seres humanos, sob a aparência de superficialidade e do conformismo, continuam à procura de resposta para a questão do sentido da vida.
A habituação seduz-nos e diz-nos que não tem sentido procurar mudar as coisas, que nada podemos fazer perante tal situação, que sempre foi assim e, todavia, sobrevivemos. Já não enfrentamos o mal e permitimos que as coisas ‘continuem como estão’ ou como alguns decidiram que estejam. Desafiemos a habituação, abramos bem os olhos, os ouvidos e sobretudo o coração, para nos deixarmos mover pelo que acontece ao nosso redor e pelo clamor da Palavra viva e eficaz do Ressuscitado” (Nº 129-137).
Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra, nos diz o Papa Francisco. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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