ANO: 25 | Nº: 6335

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
17/04/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Melhores pessoas para o mundo

Todos querem um mundo melhor, políticos mais honestos, menos violência, mais saúde e educação, que o governo tome decisões acertadas, etc. Porém, poucos prestam atenção que para o mundo ser realmente melhor temos que preparar melhores pessoas para ele. É assim que se faz um mundo melhor, não tem mágica. É com educação e nem sempre percebemos que o processo educativo acontece, a todo momento, através do exemplo.

Sem dúvida, as crianças aprendem e desenvolvem aqueles hábitos e atitudes que se repetem à sua volta. Por este motivo, é tão importante tomar consciência de que forma se apresenta o universo em que está inserida esta criança.

Você já percebeu que a maioria das palavras do vocabulário de seu filho são exatamente aquelas que ele mais ouve em casa? A tarefa de educar é bem mais complexa e abrangente do que pode parecer, porque implica em constante autoavaliação. De todas as palavras-chave e fórmulas mágicas que têm sido criadas e propostas hoje em dia, creio que nenhuma é tão poderosa quanto à coerência. Ou seja, querer ajudar os filhos a desenvolver valores humanos positivos requer desenvolver-se justamente nesses valores.

Quer que seu filho seja organizado? Procure melhorar sua forma de organizar-se, tanto com objetos pessoais como com suas atividades e compromissos de toda a ordem.

Quer que o respeito de seu filho? Trate-o e a todos aqueles com quem ele convive com o máximo de respeito e consideração, independentemente de seu humor ou circunstâncias.

Quer que seu filho goste de estudar, ler, praticar esportes, alimentar-se de modo saudável e aprender coisas novas? Então demonstre em atitudes, não apenas em discursos, que essas atividades fazem você mais feliz.

Quer que seu filho tenha uma autoestima saudável? Desenvolva a paciência de corrigir os erros dele através de conversa e carinho. Não o critique. Não o ridicularize. Não humilhe. Não o envergonhe. Não minta para ele. Assim, com facilidade, seu filho irá perceber que não é ele INACEITÁVEL, mas sim determinadas atitudes.

Quer que seu filho seja afetivo e se relacione bem com suas próprias emoções? Procure você conhecer melhor suas próprias emoções e trabalhe com afinco para não ser refém de suas mudanças de humor. Procure demonstrar que seu amor por ele é incondicional. O que você pode não aprovar são determinadas atitudes não o seu ser.

E, por fim, quer um mundo menos violento para o seu filho? Então, cultive o autoconhecimento e o controle de suas emoções. Vejo muita mãe (e muito pai) dando o exemplo mal educado, agressivo e prepotente com pessoas que fazem parte da vida da criança com a justificativa de “lutar” pelo melhor para o filho (a). Me pergunto, o que uma criança que cresce nesta atmosfera estará aprendendo? Seja coerente com seu desejo de paz. Controle-se. Controlar é decidir não reprimir, é usar a razão. E sempre é bom ressaltar que paz não é ausência de conflitos, mas sim a busca por equilíbrio na resolução de impasses e divergências, que sempre existirão em casa ou qualquer ambiente. Afinal, um mundo melhor ou pior está sendo criado todos os dias dentro de nossa própria casa.
 

(Artigo reeditado)

 

 

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