ANO: 25 | Nº: 6335

José Carlos Teixeira Giorgis

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Desembargador aposentado e escritor
21/04/2018 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

Mais um aniversário do Guarani F.C. (*)

A data de ontem, 19 de abril, foi a data natalícia do Guarani F.C. Onze foram seus fundadores. Desses, se não me falha a memória sobrevivem meia dúzia. Eu, mercê de Deus, entre eles. Já vai distante o ano de 1907. Ali na Praça da Matriz, numa esquina, vivia um casal de velhos espanhóis, Dom Antônio Perez e sua amorosa companheira, dona Filomena Perez. O feliz casal tinha cinco filhos. E como legítimos descendentes da heroica Espanha, aos seus filhos deu-lhes os nomes tradicionalmente ibéricos de Gonçalo, o mais velho, relíquia viva e eloquente do Guarani, Cervantes, Riego, Viriato, recentemente falecido, e, por último, Pelayo.
Os três primeiros foram os fundadores que, juntamente a Carlos Garrastazu, Lucídio Gontan, Guta Maciel, Viriato Bicca Nunes, Secundino Maciel, Manuel Berruti e o humilde rabiscador desses comentários, somam os 11 fundadores.
Ora vejam só. Omiti o nome do mais idoso, ainda sobrevivente. Aquele que foi o autor do primeiro gol que o Guarani fez no antigo Sport Clube Bagé, na primeira partida que jogamos em fins de maio de 1907. O esquecido foi justamente aquele, de quem sempre nos lembramos o Carlos Martins Peixoto, mais conhecido por “Cavoco”. Se dissermos que o broto já completou 71 anos, de certo que os cinquenta e quatro anos decorridos, parecem haver sido há poucos dias.
Pois foi na casa de Dom Perez que se fundou essa pujante agremiação esportiva, cujo nome já é conhecido em todo nosso imenso País onde se pratica e cultiva o esporte das multidões.
O Guarani tem contado para sua sobrevivência com verdadeiros apóstolos. Autênticos desportistas que honram e servem de modelo ao esporte nacional. Não destaco nomes. Quiçá cometeria alguma injustiça.
E como dói na alma e na consciência praticar-se a mais leve injustiça.
Mas nesta altura, do velho Guarani, uma figura, uma só figura devo ressaltar.
Perdoe-me o valoroso consórcio se firo sua modéstia.
Quero tributar a gratidão dos “guaranys” que morreram e dos que estão vivos, ao benemérito campeão da generosidade, o Sr. Antônio Magalhães Rossell.
Tenho motivos íntimos e de afeição familiar, para me dar por suspeito. Mas, no decurso da data do aniversário da fundação do nosso querido clube, o nome do prestimoso Toneca, merece essa pálida homenagem.
Nós outros, todos, mais dia menos dia, iremos à mansão da eternidade.
Mas o Guarani permanecerá como um marco duradouro do futebol nesta parte do extremo meridional do Brasil.
E as gerações que hão de vir recolherão os magníficos exemplos daqueles que, pobremente embora, souberam legar esta herança que é este Guarani conquistador de fãs e corações.

(*) Na última quinta-feira, cumpriu-se mais um aniversário do Guarany Futebol Clube, reconhecidamente o único que ainda conserva a glória de dois campeonatos estaduais, e que continua lutando por sua sobrevivência, graças aos abnegados que o tem dirigido nas últimas décadas. Achei apropriado que minha crônica semanal fosse substituída por uma das que Francisco Sá Antunes anualmente publicava na imprensa local para festejar o evento e prognosticar sua perpetuidade. Conservei a grafia que o escritor utilizava para denominar a entidade. Sá Antunes, cuja vida rememorei em texto do último sábado, foi um dos onze fundadores que se reuniram na casa de moradia da família Perez, na Praça Matriz, para imaginar a novidade de então, sem supor todas as glórias e vicissitudes que aconteceriam daí para diante, mas sempre esperançoso de seu futuro.
Chamo a atenção para um simbolismo: o lugar da fundação.
A Praça da Matriz, ninho de onde brotou a povoação criada em 1811, foi o estádio onde se jogaram as nossas maiores partidas históricas, palco dos épicos acontecimentos que enobrecem a memória bajeense. Parabéns, Guarany FC pelos 111 anos de existência, um dos mais longevos clubes de futebol do País (José Carlos Teixeira Giorgis, torcedor vitalício e ex-presidente).

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