ANO: 25 | Nº: 6280

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
21/04/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

O valor da educação

Quando crianças, ir para a escola é uma obrigação inescapável, fruto da autoridade de pais responsáveis e da obediência de filhos disciplinados que, ainda que não curtam muito o ambiente escolar nem o ato de estudar, acreditam na orientação dos pais e que aquele sacrifício é necessário para o bem delas.
Já na adolescência, aquela insatisfação em estudar tende a aumentar e virar revolta em função das influências mundanas e da consciência do mundo que nos cerca, mas, principalmente, do surgimento da “necessidade” ou desejo de ganhar dinheiro, como meio para a declaração de independência. É aqui que podemos distinguir os “pais raiz” dos “pais Nutella”. Graças a Deus, tive pais raiz que aguentaram uma enorme pressão minha e do meu irmão no sentido de querer trabalhar. Ainda que a gente jurasse de pés juntos que não ia abandonar os estudos, nossos pais sentiram que o trabalho pretendido poderia atrapalhar nossa formação superior e, assim, fecharam questão e não nos permitiram trabalhar.
Eram outros tempos talvez, mas eles se impuseram e nós acatamos... indignados, chateados, mas acatamos. E hoje, passadas mais de três décadas, não resta a menor dúvida de que aquela foi a decisão mais acertada.
Sou professor, filho de professores e isso, por si só, explica o valor que a educação tem para nossa família, mas não é só isso que justifica a importância do estudo na vida de qualquer pessoa.
Hoje, o acesso à educação é bem mais democrático do que já foi no passado e observando famílias antigas, daquelas numerosas, formadas nos arredores da década de 70 ou antes, é possível perceber que muitos não tiveram a oportunidade de estudar ou de avançar os estudos até o nível superior. Até aqui tudo bem, mas essa observação ao longo dos anos permite constatar uma flagrante relação entre longevidade e grau de estudo. Com raras exceções, é fácil perceber que nas famílias compostas por vários irmãos, vivem mais e melhor aqueles que estudaram mais. Às vezes porque os que estudaram mais são, também, aqueles que foram mais bem sucedidos financeiramente e isso, de fato, contribui para a longevidade, mas mesmo naqueles casos em que não são os mais ricos, os mais estudiosos tendem a viver mais e, principalmente, melhor.
Não há espaço aqui para nos aprofundarmos nessa análise, mas as razões dessa relação são meio óbvias. Aprimorar nosso intelecto com o acúmulo de informações e conteúdos vai muito além do conhecimento adquirido. Nos habilita a tomar decisões melhores, a agir mais racionalmente do que emocionalmente, a estabelecer relações pessoais mais diversificadas e harmônicas, enfim, nos capacita a buscar uma melhor qualidade de vida.
E quanto ao sucesso financeiro – aquele cuja busca lá no início pode atrapalhar os estudos – é quase inerente à qualificação profissional através da educação. E se o salário conquistado não for dos mais altos, não há problema, pois uma pessoa mais estudada costuma gerenciar melhor suas finanças e obter melhores resultados com menos dinheiro.
Para completar, teses sérias e bem fundamentadas demonstram que a conquista de uma melhor condição financeira está atrelada ao ensino de qualidade e à rede de relações sociais. Pois bem, até nisso estudar é bom, pois além de nos qualificar pessoalmente, permite que a gente estabeleça relações sociais que podem ser muito proveitosas para o nosso enriquecimento pessoal e financeiro. Em um ambiente escolar surge também a possibilidade de sermos vistos e valorizados por pessoas que podem não só indicar o rumo certo como ainda abrir portas importantes para o nosso futuro profissional. Enfim, estudar é tudo de bom e é uma pena que muitos levem tanto tempo para perceber isso. Parafraseando Derek Bok, se, ainda assim, você acha que a educação custa caro, experimente a ignorância!

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